Parada Gay deve movimentar R$ 135 milhões em São Paulo

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Portal Terra

SÃO PAULO - A 11ª edição da Parada do Orgulho Gay, que acontece no próximo dia 10, em São Paulo, deve movimentar R$ 135 milhões na cidade, entre gastos de turistas com hotéis, restaurantes, compras, transportes e entretenimento, segundo estimativas da São Paulo Turismo (SPTur).

- Sem dúvida, é um evento que, em termos de receita para cidade, só perde para a Fórmula 1 -, explica o presidente da SPTur, Caio Luiz de Carvalho.

De acordo com levantamentos da SPTur, na última edição, a Parada Gay contou com a participação de 1,8 milhão de pessoas - segundo dados da Polícia Militar. Deste total, 13% (234 mil pessoas) eram turistas - 5% estrangeiros e 95% brasileiros.

Com a chegada de novas pessoas à cidade, o setor hoteleiro de São Paulo se agita. Em 2006, 52% dos turistas que vieram à Parada Gay se hospedaram em hotéis. Os estrangeiros passaram, em média, cinco dias na cidade; já os turistas brasileiros permaneceram três dias na capital paulista, gastando, ao todo, R$ 115 milhões.

Nelson Baeta Neves, presidente da Associação Paulista Viva, e proprietário de um hotel na região da avenida Paulista, aprova a realização do evento. Segundo Neves, a ocupação de seu hotel aumenta em até 30% na semana da Parada.

- Esse pessoal tem um poder aquisitivo muito bom -, justifica. Segundo a SPTur, 41% dos turistas que participaram da Parada ganha mais de 21 salários mínimos.

- Na verdade, dizer que eles lotam os hotéis é relativo. Aumenta a ocupação, sim. Mas, normalmente, eles se hospedam na casa de amigos que moram em São Paulo. Essa é uma tradição -, completa Neves.

Movimento pouco significativo

Para Maurício Bernardino, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), a Parada Gay não mexe com o setor.

- Nos dois anos passados, isso não representou muito na hotelaria em si. São poucos os hotéis que recebem esse fluxo de público e isso não chega nem a mexer com os números da hotelaria -, comentou.

Bernardino conta que, em 2004, montou pacotes especiais para a Parada Gay de São Paulo e não obteve sucesso.

- Em 2003, estava em Toronto [Canadá] no dia da Parada de lá. Foram 1,8 milhão de turistas. Voltei muito animado e fiz pacotes promocionais aqui em São Paulo. Foi um fracasso muito grande. Tiveram promoções que não receberam nenhuma consulta -, explica.

Entretanto, o presidente da ABIH reconhece a importância do evento para o setor do turismo em São Paulo.

- Não resta dúvida que a Parada movimenta São Paulo. Mas não há um reflexo no nosso setor -, finaliza.

Embora não estime o número de participantes na marcha deste ano, a organização da Parada Gay espera atrair uma multidão às ruas de São Paulo em 2007.

- A gente não está fazendo estimativa de participantes, porque a idéia não é estimular aumento quantitativo, mas a consciência dos participantes -, explica Regina Facchini, vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo.

Para a realização da Parada Gay, a organização conta com apoio financeiro de instituições públicas. A prefeitura de São Paulo, por exemplo, colabora com a estrutura do evento. No ano passado, o Ministério da Saúde também enviou R$ 30 mil, "que foi muito pouco", segundo Regina.

- Esse ano, vamos gastar mais que isso só em material educativo -, completa, sem antecipar quanto será investido em 2007.