FHC critica política externa e diz que Brasil perdeu liderança

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Agência EFE

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil perdeu a liderança na América Latina e que o Mercosul é hoje apenas um simulacro de integração, segundo uma entrevista divulgada nesta segunda-feira.

- Deixamos que a América Latina se desintegrasse. O Mercosul é hoje um simulacro de integração. Acho que nos equivocamos muito - afirmou Cardoso, criticando a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cardoso deu as declarações ao site do Instituto Teotônio Vilela, um centro de estudos vinculado ao PSDB.

- A América Latina nunca esteve tão dividida. Ela se fragmentou. O Brasil perdeu a liderança - ressaltou o ex-presidente, respondendo a uma pergunta sobre o surgimento na região de líderes autodenominados de esquerda, como Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Néstor Kirchner (argentina) e Rafael Correa (Equador).

O ex-presidente questionou a suposta ideologia de esquerda do Governo de Chávez na Venezuela.

- O Governo da Venezuela é de esquerda? Por quê? Só porque nacionaliza empresas, é contrário à globalização e é antiamericano? A esquerda não é apenas ser contra. Ela sempre é a favor de alguma coisa. A esquerda é generosa, humanista e tem iniciativa - afirmou.

FHC acrescentou que a perda de influência regional do Brasil pode ser constatada em vários países vizinhos.

- Foi o que ocorreu na Bolívia e agora no Paraguai. Perdemos espaço. O Brasil perdeu a capacidade de buscar uma convergência na América Latina - avaliou.

Foi uma referência às divergências entre Brasil e Bolívia, causadas pela decisão de Morales de nacionalizar os hidrocarbonetos bolivianos, afetando os interesses da Petrobras, e às críticas no Paraguai pelas supostas desvantagens do país no Tratado de Itaipu, assinado em 1973.

Fernando Henrique Cardoso se referiu além disso à suposta política antiamericana do Governo Lula. Ele disse que o Brasil não consegue se opor a uma potência com tanta presença no país. Para ele, quando o presidente americano, George W. Bush, visita o Brasil, imediatamente desaparece no Governo qualquer sentimento antiamericano.

- Perdemos tempo com essa história de política de confronto com os países desenvolvidos. A política externa brasileira está muito equivocada - afirmou.

Também considerou um erro a insistência do Governo Lula em privilegiar as relações entre as nações do hemisfério sul num momento em que as noções de sul e norte estão se desfazendo, já que China e Índia são cada vez mais norte.