Câmara discute cortes de verbas para educação no trânsito
Gustavo de Almeida, Agência JB
BRASÍLIA - A Câmara realiza nesta quarta-feira às 10h em Brasília uma audiência pública para discutir os acidentes de trânsito, seus impactos na saúde e na economia e formas de reduzir o dramático número de vítimas que passou de 35 mil mortos em 2006.
-Vivemos uma epidemia no trânsito, que precisa ser contida, com o envolvimento de todos os poderes e também da sociedade - afirma o deputado federal Hugo Leal (PSC-RJ), autor da proposta de audiência pública, aprovada por unanimidade na Comissão de Viação e Transportes.
Representantes do Denatran e dos ministérios da Saúde e do Transporte já confirmaram presença na audiência pública que terá a participação ainda de entidades envolvidas com a questão do trânsito como o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Marcos Musafir, e o engenheiro Fernando Diniz, que perdeu o filho adolescente em acidente na Barra e hoje busca organizar e reunir os parentes de vítimas.
O deputado federal Hugo Leal pretende discutir também o contingenciamento das verbas para educação no trânsito De acordo com o Ministério das Cidades, as verbas retidas do Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset) chegaram a R$ 800 milhões, de 1998 a 2006. Menos de 40% do fundo, formado por 5% das multas aplicadas em todo o país, foi gasto efetivamente para melhorar o trânsito no Brasil. Os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula contingenciaram as verbas do Funset para garantir o superávit primário e fizeram o mesmo com parte do dinheiro arrecadado pelo DPVAT.
Leal cita outro número: R$ 22 bilhões por ano - 1,2% do PIB - é o valor calculado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre os custos dos acidentes de trânsito para o País. O IPEA somou a perda da capacidade produtiza das vítimas com os gastos hospitalares com saúde e reabilitação e os danos ao patrimônio, dos próprios veículos a cargas transportadas.
