STJ mantém prisão de diretora após depoimento

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Portal Terra

BRASÍLIA - Maria de Fátima Palmeira, diretora comercial da construtora Gautama, vai continuar presa após o depoimento que prestou durante mais de 8 horas à ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), neste sábado. A decisão foi tomada pela própria ministra após a audiência. A advogada de Fátima, Sônia Rao, acredita que a sua cliente seja liberada após o depoimento do dono da Gautama, Zuleido Veras, que ocorre na tarde de hoje.

Maria de Fátima é acusada de ser o braço direito de Zuleido, investigado pela Polícia Federal como mentor do suposto esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos destinados a programas federais, como o Luz para Todos.

Ela chegou ao STJ acompanhada do dono da Gautama. Às 9h, eles desembarcaram de um carro da Polícia Federal, algemados. O depoimento começou às 9h25. Somando as 4 horas e meia nas quais a ministra Eliana Calmon a ouviu na tarde de ontem, foram mais de 8 horas de depoimento.

A advogada de Fátima afirmou que considera uma injustiça o fato de sua cliente não ter sido liberada após depor, como ocorreu com a maioria dos outros presos. Ela vai permanecer presa no prédio do STJ durante o depoimento de Zuleido.

- Estou confiante e com expectativas que consiga que a ministra a libere após o outro depoimento -, disse.

Fátima começou a depor na sexta-feira, sendo a terceira pessoa a ser ouvida, depois de Rosevaldo Pereira de Melo, funcionário da Gautama e Vicente Vasconcelos Coni, cuja prisão foi mantida após o depoimento.

Com a manutenção da prisão de Fátima e de Coni, permanecem detidos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília 10 dos 47 presos durante a Operação Navalha. Outros dez foram soltos, após obterem liminares de habeas-corpus concedidas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para a próxima segunda-feira, estão previstos os depoimentos dos últimos sete dos 47 presos pela Polícia Federal. Serão ouvidos o filho de Veras, Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras; o engenheiro e diretor da empresa Abelardo Sampaio Lopes Filho; o diretor financeiro Gil Jacó Carvalho Santos; Dimas Soares de Veras, que além de empregado da construtora é irmão de Zuleido; a secretária da Gautama, Tereza Freire Lima; o funcionário Henrique Garcia de Araújo, que, segundo a PF, administra uma fazenda usada para legalizar o dinheiro obtido com os delitos mediante a compra e venda de gado e de João Manoel Soares Barros, também funcionário da Gautama.

Segundo a assessoria do STJ, até o momento, o deputado distrital Pedro Passos (PMDB-DF) não formalizou a intenção de depor. Passos deveria ter sido ouvido na última quarta-feira, mas foi solto na noite anterior, após obter habeas-corpus concedido pelo ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. No mesmo dia, a ministra Eliana Calmon retirou o nome do distrital da relação de depoentes por acreditar que, uma vez solto, ele não voltaria ao STJ para depor.