Lula vai esperar que PMDB se entenda antes de substituir Rondeau

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BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o PMDB se entenda internamente antes de discutir a sucessão do ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse uma fonte qualificada do Planalto que conversou com Lula na manhã dessa quarta-feira.

Rondeau pediu demissão na terça, menos de 48 horas depois de ser acusado, pela Polícia Federal, de ter recebido propina de 100 mil reais da Construtora Gautama. Ele negou a acusação e se declarou vitima de uma "injustiça" da PF.

Lula já informou a seus principais articuladores políticos que vai "esperar a poeira baixar" antes de escolher o novo ministro. Já informou também que o PT não deve entrar nessa disputa, pois o nome será indicado pelo PMDB do Senado, como era o caso de Silas Rondeau.

Para o presidente, compete aos senadores peemedebistas encontrar um nome com perfil adequado para comandar um ministério estratégico, responsável por mais da metade dos investimentos previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), acrescentou a fonte.

- O tempo da substituição será o necessário para encontrar um nome credenciado e que mantenha o equilíbrio político dentro do PMDB - disse a fonte.

As especulações em torno de nomes que passaram a circular na bancada do PMDB indicam apenas, segundo esta fonte, que o partido ainda não encontrou o "ponto de equilíbrio" para fazer uma indicação com viabilidade.

O ministro interino Nelson Hubner, secretário-executivo do MME, despachou na Casa Civil na manhã desta quarta-feira, com auxiliares da ministra Dilma Roussef. Ele teria tratado da rotina de programas do ministério.

O processo de substituição de Silas Rondeau, primeiro ministro a cair diante de denúncias no segundo governo Lula, abriu um quadro de expectativa e ansiedade no PMDB.

- Se o presidente Lula demorar a fazer a indicação, a relação da bancada com o Planalto, que já não está boa, vai piorar - comentou um importante senador do PMDB que pediu para não ser identificado.

A sucessão de Rondeau pode atrasar ainda mais as nomeações para cargos importantes do segundo escalão que são reivindicados pela bancada do PMDB na Câmara, como complemento do acordo feito em dezembro para apoiar Lula.

- Nomeação de ministro tem prioridade sobre o segundo escalão - disse a fonte que conversou com Lula pela manhã.

"JÓIA DA COROA"

O Ministério de Minas e Energia (MME) é a "jóia da coroa" do PMDB na Esplanada. Somado ao orçamento de 12 empresas estatais e públicas a ele vinculadas, o MME controlará cerca de 45 bilhões de reais em 2007.

Além disso, o MME e suas estatais vão contratar nos próximos quatro anos 274,8 bilhões de reais em obras de infra-estrutura energética, cerca de 55 por cento do orçamento previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Silas Rondeau foi nomeado ministro em agosto de 2005, quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negociou apoio do partido ao Planalto, no auge da crise do mensalão.

O cargo era ocupado pela ministra Dilma Rousseff, do PT gaúcho, que foi deslocada para a Casa Civil quando o ex-poderoso José Dirceu teve de se demitir, sob o impacto de denúncias envolvendo o governo e o PT.

Apadrinhado pelo ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), Rondeau era presidente da Eletrobrás e virou ministro com aval de Dilma. A ministra manteve, no entanto, um "controle remoto" do MME, por meio do secretário-executivo Nelson Hubner, de sua total confiança.

Fazem parte da estrutura do MME a Petrobras, maior estatal brasileira e segunda maior empresa da América Latina, a holding Eletrobrás (que controla as estatais Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletronuclear, Eletrosul e CBEE), a Comercializadora Brasileira de Energia Elétrica (CBEE), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Cia. de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM).

Também estão ligadas ao MME a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), além da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCE) e Operador Nacional do Sistema (ONS), estratégicos na distribuição de energia elétrica no país.

No acordo de 2004, o PMDB indicou os ministros da Saúde e das Comunicações. Com a reeleição de Lula, o partido ganhou também o comando da Agricultura e a Integração Nacional, com indicações da bancada da Câmara.