Caso Dorothy: julgamento de suspeito segue terça

Por

Portal Terra

BELÉM - O julgamento do fazendeiro Vitalmiro de Bastos Moura, o Bida, será retomado a partir das 8h30 desta terça-feira no Tribunal do Júri, em Belém. A sessão de júri do acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang foi suspensa por volta das 22h40, depois de um dia inteiro de depoimentos de testemunhas da acusação e defesa.

O juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, da 2ª Vara Penal de Belém, interrogou o fazendeiro logo no início do julgamento. Ele negou qualquer envolvimento no assassinato. "Não participei de crime algum", afirmou o fazendeiro.

A versão foi confirmada pelas outras duas testemunhas de defesa, Rayfran das Neves e Clodoaldo Batista, condenados como executores da morte. Clodoaldo chegou a acusar a polícia de ter pressionado os dois para que citassem mais nomes de envolvimento no crime e de inventar um consórcio que teria reunido R$ 50 mil para pagar pela morte da missionária. "Se você quiser saber sobre essa história, tem que perguntar para a polícia. Eles que mandaram a gente falar", disse.

A defesa ainda acusou Dorothy Stang de promover "agitações" entre os colonos e de fornecer armas e munição. "Ela criava um clima de instabilidade, uma movimentação na cidade", completou Rayfran.

Clodoaldo disse ainda que, enquanto esteve preso, foi visitado por três homens que diziam ser do FBI (a polícia americana), exigindo que mais nomes de envolvidos fossem citados. Caso contrário, iriam ser perseguidos por tropas americanas, a mando do presidente George W. Bush.

Acusação

Os primeiros depoimentos foram da acusação. O delegado da Polícia Federal, Ualame Filho, que presidiu o inquérito no âmbito federal, afirmou que nada ficou provado sobre o suposto consórcio, mas disse que Rayfran das Neves, Clodoaldo Batista e Amair Feijoli confirmaram a participação de Bida no crime.

A missionária Roberta Lee foi a segunda testemunha a ser ouvida. Ela confirmou que Stang era mau vista por muitas pessoas na cidade e chegou a receber o título de persona non grata pela Câmara Municipal de Anapu.O delegado Waldir Freire, que presidiu o inquérito instaurado pela Polícia Civil, também não confirmou a existência de um consórcio. A última testemunha de acusação, o agricultor Orlando Paulo Nunes da Costa, foi dispensada pela promotoria.