Sai liminar sobre greve do Ibama

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BRASÍLIA - Uma liminar obtida na Justiça Federal determina o retorno ao trabalho imediato de 50 por cento do servidores do Ibama, sob pena de multa.

o presidente interino do Ibama, Basileu Alves Margarido, afirmou que o instituto também cortará o ponto dos faltosos, conforme autoriza a lei.

A medida tenta evitar a paralisação completa das atividades do órgão, mas fontes do ministério e do Palácio do Planalto vêem a greve com certa preocupação.

- Se com 100 por cento já era essa demora, que dirá com 50 por cento? - questionou um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob condição do anonimato.

A categoria optou pela greve nacional na última sexta-feira, por tempo indeterminado.

- Não há hipótese de atendermos (a essa reivindicação) - disse o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e presidente interino do Instituto Chico Mendes, João Paulo Capobianco.

O argumento dos servidores é que o objetivo real é enfraquecer o setor de licenciamento para agilizar as licenças a obras de infra-estrutura. O ministério nega essa motivação.

- A idéia do governo era acabar com o Ibama, mas como a marca do Ibama é muito forte, decidiram criar o Instituto Chico Mendes - afirmou o presidente da Associação Nacional dos Servidores do Ibama, Jonas Corrêa.

A decisão de reestruturar o órgão veio em meio à polêmica da construção de hidrelétricas do rio Madeira, obras prioritárias do PAC que ainda dependem de autorização ambiental.

- Nós temos muitas hidrelétricas em que estamos trabalhando. Eu acho que o Ibama está sendo injusto com a ministra Marina (Silva, do Meio Ambiente), que fez uma proposta de inovação do Ibama, de melhorar o Ibama, tentando separar qual é o Ibama que vai cuidar dos parques, do Ibama que vai cuidar do licenciamento prévio - afirmou o presidente Lula.

Ele acrescentou que compreende a dificuldade de mudança por parte dos servidores.