Marina: Ibama não teria condições de responder à atual crise ambiental
Agência Brasil
BRASÍLIA - As entidades brasileiras estão ultrapassadas para enfrentar os atuais problemas ambientais. A afirmação foi feita pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em entrevista à Rádio da Amazônia. Segundo a ministra, vários desafios surgiram desde a criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), há 19 anos.
- É impossível imaginar que as estruturas criadas há quase 20 anos possam corresponder a essa crise. O que está se fazendo é um processo de reestruturação para fortalecer a gestão ambiental do país - disse Marina. Na semana passada, foi publicada a medida provisória que cria a nova autarquia federal, responsável pela gestão, implementação e proteção das unidades de conservação, o Instituto Chico Mendes.
- Quando o Ibama foi criado, tínhamos 113 unidades de conservação. Hoje são 288 unidades. Naquela época, eram apenas 15 milhões de hectares, hoje são 60 milhões de hectares - destacou a ministra. - A partir de agora, o Ibama vai funcionar com as suas atribuições precípuas, no que concerne à fiscalização, à autorização e ao licenciamento ambiental. E o Instituto Chico Mendes cuidará de alguns centros de pesquisa, das unidades de conservação e de uso sustentável e de proteção integral, inclusive com a responsabilidade de dar conta das reservas extrativistas - informou a ministra.
Além da criação do Instituto Chico Mendes, foi modificada a estrutura do Ministério do Meio Ambiente, com a criação de quatro novas secretarias. A pasta precisava ser "aperfeiçoada", disse a ministra. - A reestruturação não é apenas do Ibama, é uma reestruturação geral do Ministério do Meio Ambiente, exatamente para que possamos responder à altura aos desafios da gestão ambiental do país.
A criação do nova autarquia, no entanto, não agradou a todos. Servidores do Ibama irão fazer manifestações para tentar convencer parlamentares a não aprovarem a medida provisória, que consideram incoerente por acabar com a unicidade da gestão ambiental.
A ministra falou também, durante a entrevista, sobre o desafio de viabilizar crescimento econômico com proteção ambiental. - Tivemos que fazer um esforço muito grande para inserir no planejamento das ações dos setores de governo critérios de sustentabilidade ambiental - disse. Segundo ela, é uma discussão que deve ser feita "sem paixões". - O Estado está aí para mediar os diferentes interesses da sociedade e não permitir que um venha se sobrepor ao outro.
