Em 1o de Maio de protestos, Lula não vai à Missa do Trabalhador
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BRASÍLIA - Num dia que deve ser marcado por protestos de centrais sindicais próximas ao governo contra a limitação de reajustes dos servidores e outras medidas oficiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai passar o feriado de Primeiro de Maio com a família, segundo o Palácio do Planalto.
Pela primeira vez desde 2003, quando assumiu o cargo, Lula não vai participar da Missa do Trabalhador na igreja matriz de São Bernardo do Campo (SP). Ele comparece à cerimônia desde 1979, quando era presidente do antigo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema.
- O presidente sempre vai à missa em São Bernardo como um compromisso familiar, mas este ano seus parentes decidiram passar o feriado em Brasília - disse um porta-voz do Planalto.
A presença de Lula na missa, mais uma vez, chegou a ser divulgada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (sucessor da entidade que Lula presidiu), mas a ausência de Lula só foi confirmada no final da tarde desta segunda-feira.
Lula será representado na missa pelo ministro da Previdência, Luiz Marinho, ex-presidente da CUT, a central ligada ao PT e que teve como berço o sindicalismo de São Bernardo.
Marinho e a CUT acabam de perder o controle do Ministério do Trabalho, entregue por Lula em abril a Carlos Lupi, presidente do PDT, próximo à Força Sindical.
Lula falou sobre o Dia do Trabalhador no programa de rádio 'Café com o Presidente', mas não divulgará uma mensagem oficial sobre a data, segundo seus assessores.
- Tenho razões para acreditar que, junto com os trabalhadores, nós iremos construir uma forma de melhorar a vida do povo trabalhador do nosso país - disse Lula no rádio, destacando os reajustes salariais acima da inflação.
Na véspera do Primeiro de Maio de 2005, Lula fez pronunciamento em cadeia de TV, destacando o reajuste do salário mínimo para 300 reais. Em 2006, também em rede, festejou a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo.
Desde 1979, Lula faltou apenas duas vezes à missa em São Bernardo. Em 1980, o então sindicalista estava preso por comandar uma greve considerada ilegal. Em 1993, pré-candidato ao Planalto pela segunda vez, estava em Feira de Santana (BA), na 'Caravana da Cidadania'.
A versão oficial de que a presença de Lula na missa é um 'compromisso familiar' era desconhecida até a tarde dessa segunda-feira.
- Todo ano eu estou presente aqui e pretendo continuar estando, enquanto tiver a Missa do Primeiro de Maio - disse Lula em 2006, depois de recordar a participação da Igreja nas greves dos metalúrgicos em 1979 e 1980.
