Petroquímicos pedem garantia de que não haverá demissões no Sul
Agência Brasil
PORTO ALEGRE - Os trabalhadores da indústria petroquímica do estado querem uma garantia pública de que não haverá demissões no pólo de Triunfo, após a compra do Grupo Ipiranga pelas empresas Petrobras, Braskem e Ultra.
Nós estamos atentos e mobilizados para reagir a qualquer iniciativa contrária aos interesses da categoria, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas de Triunfo, Carlos Eitor Rodrigues. Ele explicou que 'só com a força da organização dos trabalhadores se pode garantir que não venham a ocorrer demissões ou, se for necessário, que o número seja pequeno'.
Segundo o sindicalista, os trabalhadores acham interessante a Petrobras aumentar a sua participação na petroquímica já que a estatal é a principal fornecedora de matéria-prima para o setor e os investimentos sempre vêm via Estado brasileiro'. Os trabalhadores, porém, acrescentou, estão preocupados com a concentração do setor, considerado estratégico, nas mãos de um grupo privado - no caso, Braskem/Odebrecht, que já controla outros pólos.
- Juntos, os pólos do Sudeste (SP e RJ) produzem um milhão de toneladas por ano de eteno, o principal petroquímico básico, e os pólos baiano e gaúcho são responsáveis pela produção de 2,5 milhões de toneladas/ano. Com isso, a Braskem ficará responsável por mais de 70% da produção dos básicos - disse Rodrigues.
Sobre a preocupação com os empregos, ele explicou que o parâmetro dos trabalhadores gaúchos é a atitude tomada pela Braskem quando assumiu o Pólo de Camaçari (BA), em 2002, 'quando houve cerca de 2 mil demissões e ataques aos direitos dos empregados'.
Os trabalhadores gaúchos já decidiram por unanimidade manter assembléia permanente e estado de greve. Rodrigues disse que eles também solicitaram audiência públicas em Brasília e no estado, para discutir a situação. O presidente da Subcomissão do Trabalho no Senado, Paulo Paim (PT), informou que a audiência está marcada para o dia 4 de abril. Na Assembléia Legislativa, o deputado Adilson Troca (PSDB) protocolou nesta quinta-feira, na Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle, pedido de criação de uma subcomissão para acompanhar a transição do Grupo Ipiranga. O pedido deverá ser analisado na próxima quinta-feira (29).
As compradoras do Grupo Ipiranga - Braskem, Ultra e Petrobras - pagaram cerca de US$ 4 bilhões pelo controle da empresa gaúcha, fundada há cerca de 70 anos no município de Rio Grande. As novas controladoras - que anunciaram a intenção de investir mais de R$ 700 milhões para qualificar e ampliar as atividades que já vinham sendo realizadas no pólo petroquímico de Triunfo - também garantiram que não haverá demissões nas empresas adquiridas.
O Pólo Petroquímico gaúcho tem nove empresas, com 2,4 mil trabalhadores diretos e 3,5 mil indiretos. Com a concretização da negociação, cerca de 2 mil ficarão subordinados à Braskem. Na refinaria em Rio Grande trabalham mais de 250 pessoas e os impostos recolhidos representam 10% do orçamento municipal.
Rodrigues tem 48 anos e trabalha há 25 na Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), a empresa do Grupo Ipiranga que concentra a grande maioria dos empregos no Pólo de Triunfo. Ele preside o sindicato desde 1999.
