Diretor aponta desafios da Política Nacional de Controle do Câncer
Agência Brasil
BRASÍLIA - O maior desafio na implantação da Política Nacional de Controle do Câncer no Brasil é fazer com que as pessoas entendam que o câncer é um problema de saúde pública. A afirmação foi feita nesta terça-feira pelo diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antônio Santini, ao participar de reunião da Comissão de Seguridade Social e Família na Câmara dos Deputados.
Na reunião, Santini falou sobre a Política Nacional de Atenção Oncológica, lançada em dezembro de 2005, e fez um balanço do trabalho do Inca no controle da doença. Ele disse que o câncer deixou de ser uma doença terminal e se tornou uma doença com várias possibilidades de diagnóstico e tratamento diferentes.
- Hoje não se fala em um tipo de câncer, falamos em mais de 200 doenças com esse rótulo. O médico ressaltou, entretanto, que o diagnóstico precoce ainda é um problema no Brasil. Muitas vezes, perde-se a oportunidade de tratar, de prolongar a vida, ou até mesmo de curar, porque o diagnóstico é feito tardiamente - observou.
Ele chamou a atenção para outro desafio: o treinamento de pessoal, já que não é o oncologista que faz o rastreamento, a detecção e o diagnóstico precoce do câncer, mas os médicos de família, os especialistas em ginecologia nos postos e centros de saúde.
Segundo dados do Inca, no ano passado, foram registrados no Brasil 140 mil óbitos e 472 mil novos casos de câncer em homens (49,7%) e mulheres (50,3%). De 1979 a 2003, a taxa de mortalidade pela doença cresceu 30%. E os gastos do governo federal com assistência oncológica aumentaram 121%, passando de R$ 570 milhões para mais de R$ 1,20 bilhão , entre 2000 e 2006.
De acordo com o instituto, o número de novos casos de câncer em um ano é maior que o número de casos de aids acumulados em 24 anos, no Brasil. Os dados do Inca mostram que, em mulheres, a maior incidência é de câncer de mama (48.930), seguido pelo de colo de útero (19.260) e pelo de cólon e reto (13.970). O câncer de próstata (47.280) é que mais atinge os homens, seguido pelos de traquéia, brônquios e pulmão (17.850) e pelo de estômago (14.970).
Luiz Antônio Santini apontou como fundamentais o diagnóstico precoce e a qualidade do tratamento oferecido aos pacientes com câncer. Ele citou, entre as metas do pacto pela vida da Política Nacional de Atenção Oncológica, a cobertura de 80% para o exame preventivo do câncer do colo do útero, a ampliação em 60% da cobertura da mamografia e a realização da punção biópsia em 100% dos casos necessários.
Santini lembrou ainda a importância do controle do tabagismo para prevenção do câncer de pulmão, bexiga e esôfago. Ele enfatizou que, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Inca é centro de referência para o controle do tabagismo, e que o Brasil foi pioneiro na elaboração do único tratado internacional de saúde pública, a chamada Convenção-Quadro para Controle do Tabaco. O diretor do Inca destacou que, em 2006, houve 11 milhões de novos casos de câncer e 7 milhões de mortes causadas pela doença em todo o mundo. A expectativa para 2020 é de 16 milhões de novos casos e de 12 milhões de mortes no mundo. De acordo com o instituto, 60% dos novos casos deverão ocorrer em países menos desenvolvidos.
O deputado Chico D'Angelo (PT-RJ), que também é médico e membro da Comissão de Seguridade Social e Família, que propôs a participação do diretor do Inca na reunião, disse que a iniciativa faz parte das comemorações dos 70 anos do instituto. Ele informou que a programação prevê diversas atividades ao longo do ano, além da realização do 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, em novembro, que reunirá representantes de diversos países da América Latina.
