Bush busca laços mais fortes com América Latina
Agência JB
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, inicia nesta quinta-feira viagem de uma semana pela América Latina, região onde foram eleitos recentemente governos de esquerda e que vive sob a influência do presidente venezuelano Hugo Chávez.
"Minha viagem é uma chance de dizer aos povos da Colômbia, Uruguai, Brasil, Guatemala e México que os Estados Unidos se importam profundamente com a condição humana", afirmou, listando os cinco países do itinerário.
Questionado sobre a influência de Chávez, Bush não o citou nominalmente, mas disse que os países da região têm o direito de escolher o sistema de governo que desejarem. Afirmou, porém, que considera "um erro" quando as pessoas querem nacionalizar empresas.
Por um lado, Chávez incomoda o governo norte-americano com a chamada "revolução socialista" e com a nacionalização do setor energético. Por outro, distribui bilhões de dólares aos aliados da América Latina.
Já o governo Bush diz ter destinado 1,6 bilhão de dólares em ajuda à região no ano passado. Nesta semana, Bush anunciou planos de oferecer mais 385 milhões de dólares para ampliar programas habitacionais na América Latina, além do envio do navio-hospital Comfort para atender a 85 mil pessoas.
O Departamento de Estado nega que Bush esteja tentando competir com Chávez, que em setembro enfureceu as autoridades dos EUA ao comparar Bush ao diabo, durante discurso na ONU. O líder venezuelano pretende participar de um protesto contra Bush na Argentina durante a passagem do presidente norte-americano pelo vizinho Uruguai.
Cerca de 2.000 estudantes, sindicalistas e outros manifestantes ocuparam parcialmente o centro de Bogotá na quarta-feira, três dias antes da chegada do presidente dos EUA à Colômbia.
"Estamos protestando contra a visita de Bush e contra como (o presidente) Álvaro Uribe ficou de joelhos diante do império dos EUA", disse o parlamentar oposicionista Wilson Borja durante a manifestação.
Em entrevista à rede de TV Univisión, Bush disse não ficar nem surpreso nem aborrecido
Em entrevista à rede de TV Univisión, Bush disse não ficar nem surpreso nem aborrecido com os protestos nos países que visitará.
- Fico orgulhoso por ir a uma parte do mundo onde as pessoas podem se manifestar, onde as pessoas podem expressar suas idéias, declarou.
A chegada de Bush ao Brasil, primeira parada da viagem latino-americana, está prevista para o início da noite. Ele passará a sexta-feira em São Paulo.
