Exportações de orgânicos podem somar mais que o dobro do valor apurado
Agência Brasil
BRASÍLIA - As exportações brasileiras de orgânicos podem representar mais do que o dobro do valor apurado pelo governo. A informação é do secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini. Os primeiros dados, divulgados na semana passada, apontam embarques de US$ 5,5 milhões de agosto de 2006 a janeiro de 2007.
Desde julho, o exportador pode preencher um campo para classificação especial desses produtos dentro do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), a partir de uma resolução da câmara. Mugnaini destaca que o fornecimento das informações não é obrigatório e que, assim, não há precisão nos dados.
- Não sei qual o valor total das exportações, quem sabe é de US$ 10 milhões ou US$ 12 milhões, comenta, em entrevista à Agência Brasil. Mas no período de um ano teremos a primeira série de 12 meses, e isso é importante.
- Nós não tínhamos nenhuma estatística. Passamos a ter uma certa noção de onde está plantado e onde está sendo exportado - resume o secretário da Camex, órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Os dados serão utilizados, por exemplo, pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para embasar ações de comerciais no exterior.
Também podem ser úteis para o desenvolvimento de políticas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Outra vantagem do sistema é inibir fraudes no que se refere à certificação dos produtos - por exigência internacional, todo produto orgânico deve passar por um controle que envolve o processo inteiro de produção. Tudo o que é certificado é informado ao governo pelas empresas fiscalizadoras. As informações passarão a ser cruzadas com os dados referentes às vendas ao exterior.
- Se uma empresa vendeu mil toneladas de açúcar mas só foi certificada em 500, está começando a haver fraude - explica Mugnaini.
- Interessa o assunto ao governo porque você não pode estar no mercado sendo acusado de fraudes. É ruim para o país, ruim para o setor, ruim para o produtor.
Segundo Mugnaini, em breve o governo começará a monitorar, também, as importações.
- Primeiro vamos fazer o teste, por um ano, para as exportações - informa.
