MST ocupa área em Araçatuba e sai de fazendas no Pontal

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REUTERS

SÃO PAULO - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou uma área de 935 hectares neste sábado em Araçatuba (SP). Já no Pontal do Paranapanema (SP), o MST liderado por José Rainha desocupou as 13 áreas invadidas no início da semana.

Em todos as ações, o MST atuou em parceria com sindicatos de trabalhadores rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

- Aqui é consequência das lutas de lá (Pontal). São três áreas que são reivindicadas, que têm acampamento esperando - disse à Reuters por telefone Sergio Pantaleão, coordenador do MST no local. Ele indicou que a área de atuação de José Rainha, antes restrita ao extremo oeste paulista, está se ampliando.

A ocupação na fazenda Floresta mobilizou 400 famílias. Junto com as fazendas Araçá e Aracanguá, a reivindicação das terras para realização da reforma agrária no local é de 6,9 mil hectares. Segundo o MST, as terras são improdutivas, já avaliadas pelo governo federal.

- Estamos esperando uma manifestação do Incra', disse. Pantaleão alertou que o movimento é pacífico e que os trabalhadores sairão das terras assim que vierem os pedidos de reintegração de posse que devem ser emitidos pela Justiça a pedido dos proprietários.

No Pontal, José Rainha explicou que a desocupação das terras, muitas por ordem judicial, indica um voto de confiança no governo dos Estado de São Paulo.

- Quero mostrar que sempre fui do diálogo e acredito que essa forma é que avança, não é reprimindo. A reforma agrária não pode cair no banco dos réus - disse Rainha pelo telefone de Teodoro Sampaio. Ele próprio teve condenações, já derrubadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Um deputado da região, Mario Bragato (PSDB), tentará intermediar uma conversa entre coordenadores do MST e o secretário da Justiça, Luiz Antonio Marrey, que havia condicionado o diálogo à saída das terras.

O MST levará uma pauta de demandas que incluirá a fixação de um cronograma de assentamentos, com sugestão de assentar 1.000 famílias por ano na região do Pontal do Paranapanema. Os recursos, mesmo no caso das terras em litígio do governo do Estado, vêm do governo federal.