Cúpula apóia e aliados de Tarso criticam fala de Lula ao PT
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BRASÍLIA - A direção do PT aplaudiu, dissidentes reclamaram e o ministro Tarso Genro fez que não eram para ele as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitas na noite de sexta-feira, aos petistas que tentam 'envolver o governo' na luta interna do PT.
Lula condenou a luta interna e cobrou unidade dos petistas para defender o governo, num discurso inflamado para 500 dirigentes e convidados que comemoravam os 27 anos do PT.
- O presidente deixou claro o recado de que o PT tem a responsabilidade de ajudar a governar o país e advertiu para o risco de a disputa interna comprometer nosso papel maior - disse o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Membros do chamado 'campo majoritário', que controlou o partido até a crise do mensalão, viram no discurso de Lula uma desautorização ao ministro Genro, articulador da proposta de 'refundação' do PT contra a 'corrupção programática'.
- O presidente não precisa me mandar recado, ele me orienta na hora que ele quiser - reagiu Tarso Genro, ao ser indagado por jornalistas sobre a leitura que os adversários fizeram do discurso.
Na manhã deste sábado, o ministro teve participação discreta na reunião do grupo que assinou com ele o 'Manifesto ao Partido', já esvaziado das críticas mais ácidas à antiga direção petista.
O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) deu a resposta do grupo do Manifesto ao apelo de Lula para que 'os companheiros sejam mais companheiros' e deixem de 'atirar no próprio pé'.
- O presidente Lula defendeu que temos que estar unidos, mas em que termos? Não pode ser na base de que um decide e os outros obedecem - disse Cardozo.
- A unidade se faz na discussão das divergências, com respeito às minorias.
A governadora Ana Júlia Carepa (PA) também criticou o discurso de Lula. O governador Wellington Dias (PI) defendeu mudanças na direção do PT. O governador Marcelo Deda (SE) não foi à reunião do 'Manifesto' que havia assinado.
