SP: ex-gerente do Metrô depõe na Assembléia

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Portal Terra

SÃO PAULO - O ex-gerente de obras da linha 4 do Metrô, Marco Aurélio Buoncompagno, depôs na noite desta quarta-feira em comissão criada na Assembléia Legislativa de São Paulo para investigar as causas do acidente na futura estação Pinheiros, ocorrido no último dia 12. Buoncompagno disse acreditar que a detonação efetuada na manhã do dia 12 não teve influência no acidente.

- Tudo leva a crer que o fogacho não tenha a ver. É muito fraco para desencadear um evento daquela magnitude - afirmou.

A execução de detonações no dia do acidente foi revelada em relatório da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) do Metrô no fim do mês passado. O chamado fogacho seria, segundo o engenheiro José Marco Leite Ribeiro, chefe do departamento de obras e um dos depoentes desta quarta-feira, uma pequena detonação para separar uma rocha.

Buoncompagno informou que o Metrô, após meses de estudos de um grupo de trabalho formado por ele e por mais cinco gerentes da empresa, autorizou uma mudança, requisitada pelo Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras, no método construtivo do túnel que leva à estação Pinheiros.

De acordo com o contrato firmado entre o Metrô e o Consórcio, o túnel seria escavado pelo método shield, em que um equipamento, conhecido como tatuzão, perfura o túnel enquanto avança por ele. Segundo Buoncompagno, o Consórcio enviou um relatório ao Metrô explicando que a escavação pelo método NATM, feito por explosões, seria mais adequado e teria menor risco de acidentes. A estação já seria escavada pelo processo NATM.

O ex-gerente destacou que, se o Metrô insistisse no uso do método firmado em contrato, ele se tornaria responsável por eventuais problemas.

Aceleração

O deputado Nivaldo Santana (PCdoB) levou à comissão as atas de duas reuniões do Metrô, ocorridas em agosto de 2006, em que foi proposto e discutido um "plano de aceleração para Pinheiros", ou seja, uma forma de tornar a execução das obras mais rápidas. Buoncompagno afirmou que o tema foi estudado e descartado.

Buoncompagno informou que, por contrato, o Consórcio precisa cumprir os prazos sob o risco de ter que pagar multas. O deputado Santana questionou se as obras não teriam sido aceleradas por este motivo. O ex-gerente descartou a hipótese, afirmando que em um contrato de quatro anos há tempo para se adequar eventuais atrasos.

Sobre o processo do Ministério Público a que responde desde 1992, Buoncompagno afirmou que já foi absolvido no processo da área criminal e que o processo atual, na área cível, deve seguir o mesmo caminho.