BC mostra por que Nordeste preferiu Lula
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O Boletim Regional do Banco Central, relativo ao 3º trimestre (julho a setembro), divulgado nesta terça (29), ajuda a explicar por que o eleitor do Nordeste foi o fiel da balança para eleger o ex-presidente Lula e infligir a 1ª derrota de um presidente no cargo desde que a reeleição foi aprovada no Brasil, em 1997.
Enquanto o indicador econômico do Banco Central (IBC-Br) do 3º trimestre, que antecipa o PIB (que o IBGE divulgará nessa 5ª feira, 1º de dezembro), cresceu 1,36% no período de julho a setembro, no Nordeste, 2º maior colégio eleitoral do país (27% dos votos), houve o pior desempenho da economia no país, com queda de 2,1% no IBC-Br.
A produção da indústria nordestina caiu 5,4%, as vendas do Comércio encolheram 2,9% e só o segmento de Serviços (pesquisado pelo IBGE) teve avanço de 1,4%, mas só superando o fraco desempenho (+0,2% do Centro Oeste) e ficando abaixo dos 3% do Sudeste, dos 2,7% da região Norte, e dos 2,2% do Sul.
No Sudeste, que concentra a maior população e a parte mais pujante da economia brasileira (e 43% dos eleitores), o desempenho do IBC-Br ficou no zero a zero no 3º trimestre (com queda de 0,1% na Indústria e de 2,3% no Comércio).
O melhor resultado ocorreu no Sul do país, com crescimento de 1,5%. Por coincidência, foi onde Bolsonaro livrou maior vantagem sobre Lula, mas a região concentra só 15% dos votos.
BC já indica desaceleração
Na sua análise, o Banco Central diz que os “indicadores recentes da atividade econômica mostram continuidade do crescimento no 3º trimestre, embora com desaceleração e mesmo retração em algumas regiões”. Ou seja, os efeitos do pacote de gastos eleitoreiros esgotaram-se antes de as urnas fecharem no 2º turno.
O comentário acrescenta que os “novos estímulos decorrentes de medidas governamentais – notadamente o aumento do valor do benefício do Auxílio Brasil e o arrefecimento da inflação, resultante, em grande medida, da redução de tributos sobre combustíveis, energia e serviços de comunicação – são fatores que podem ter influenciado o consumo das famílias no período”.
O setor de serviços salvou a honra da firma em todas as regiões, enquanto a indústria (na 1ª queda após três trimestres positivos) e o comércio já entraram no terreno negativo, sendo que o comércio ampliado (que inclui as vendas de veículos e autopeças, além de materiais de construção, bens que pedem mais crédito e renda “registrou o 2º trimestre consecutivo de retração, com queda na maioria dos segmentos”.
O Banco Central acrescenta que “no mercado de trabalho, houve pequena desaceleração na criação de empregos formais, mas a taxa de desocupação continuou em declínio”.
Ou seja, o fôlego das medidas para turbinar a reeleição de Bolsonaro acabou antes do 2º turno (30 de outubro) e o Nordeste sentiu mais.
Caged: pacote de Guedes deu chabu
Com a criação de apenas 159.4559 vagas, uma redução de 42,5% em relação ao resultado de agosto, o mês de setembro, às vésperas da eleição, registrou o 2º pior resultado do ano, só superado pela criação de apenas 96,927 vagas em março, segundo os dados do Caged divulgados nesta manhã.
O resultado confirma que o fôlego das medidas eleitoreiras criadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para turbinar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, já dava chabu antes mesmo do 1º turno (em 2 de ouubro).
