Brasil pode ser 'epicentro de fome' da pandemia, diz Oxfam

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Um levantamento feito pela ONG Oxfam mostrou que, até o fim de 2020, cerca de 12 mil pessoas podem morrer de fome diariamente no mundo por conta dos efeitos da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Oxfam International é uma confederação de 19 organizações e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 90 países na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais.

O número é 82% maior do que o registrado no ano passado e também maior do que é registrado de morte por Covid atualmente, com 10 mil mortes por dia. Segundo o documento "O Vírus da Fome", cerca de 121 milhões de pessoas a mais podem ficar sem ter o que comer por longos períodos de tempo ainda em 2020.

"Até o fim do ano, por causa da pandemia, mais de 270 milhões de pessoas - que já lutam para sobreviver a guerras, desigualdades, mudanças climáticas - poderão cair nas garras da fome crônica", ressalta o representante da Oxfam Itália, Francesco Petrelli.

"Ao mesmo tempo, as oito maiores empresas alimentares do mundo vão dar para seus próprios acionistas mais de US$ 18 bilhões em bônus, contados desde quando a pandemia começou a se difundir no mundo em janeiro. Uma cifra 10 vezes maior do que aquela que as Nações Unidas estimam como necessária para prevenir a onda de fome gerada pela Covid-19", criticou ainda Petrelli.

O estudo ainda mostrou que 65% das pessoas atingidas por grave desnutrição mora em apenas 10 países: Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Venezuela, Sahel da África Ocidental, Etiópia, Sudão, Sudão do Sul e Haiti.

- Brasil é um dos epicentros:

De acordo com a Oxfam, o Brasil é um dos "epicentros emergentes" para a fome por conta tanto da pandemia como da falta de apoio do governo federal àqueles que vivem em situações de vulnerabilidade.

O relatório lembra que o país chegou a deixar o Mapa da Fome no mundo, mas que, a partir de 2015, houve uma deterioração dos programas sociais que ajudavam os mais pobres por conta das reformas "de austeridade" e de uma crise econômica prolongada, que gerou desemprego e perda de renda.

Além disso, há críticas ao corte dos benefícios do programa Bolsa Família, reconhecido como fundamental para tirar os mais pobres da miséria.

Já as críticas ao governo de Jair Bolsonaro vem pelo fato de que "apenas 10% do auxílio financeiro prometido aos trabalhadores e às empresas" até o fim de junho e que menos de 48% dos fundos destinados à crise sanitária da Covid-19 foram distribuídos até o início de julho.

"Os riscos de disparada da fome no país são imensos quando o Estado brasileiro falha em garantir as condições mínimas de sobrevivência a todas as pessoas impactadas pela pandemia. Não basta criar programas de proteção, o que muda a vida das pessoas é fazer os recursos chegarem na ponta", ressalta a gerente de Programas e Campanhas da Oxfam Brasil, Maitê Guato.(Com agência Ansa)