O Campo de Santana

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Por EVERTON GOMES

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Fechado desde o início da pandemia, verdadeiro oásis no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, o Campo de Santana foi, finalmente, reaberto às visitações públicas, diariamente, das 6hs às 17hs, por decisão do prefeito carioca, Eduardo Paes.

A notícia trouxe grande alegria aos que gostam de parques. Retomada da vida cotidiana na nova normalidade. Em momento de busca da população por espaços públicos, sem aglomeração, para poder sair do confinamento em segurança.

Ao contrário de outros países, onde os gestores inteligentes nas cidades privilegiam o desenvolvimento sustentável, aqui no Brasil, esses locais de lazer foram muito maltratados.

O Campo de Santana foi, durante anos, vítima da falta de estratégia dos administradores.

Mas, dessa vez, para ser reaberto, passou por uma operação limpeza, com a participação de dezenas de garis, de nova iluminação, reforço na segurança da Guarda Municipal, etc.

Localizado na Praça da República, o Campo de Santana é uma das maiores áreas verdes do Rio. Tem 155.000 metros quadrados.

O espaço é histórico.

Inaugurado em 1880, foi palco da proclamação da República, em 1889.

A denominação Campo de Santana surgiu antes de sua inauguração oficial, em 1753, por causa da igreja ali construída, que foi demolida em 1854 para dar lugar à primeira estação estação ferroviária urbana do Brasil, a Estação Dom Pedro II (onde, em 1941, foi inaugurada a atual Estação Central do Brasil).

Em volta do Campo de Santana, foram construídos o Palácio do Conde dos Arcos (1819), que abriga hoje prédio da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, o prédio do Comando do Exército (1811), a sede da Prefeitura, a sede do Corpo de Bombeiros, a Escola Rivadávia Correia, o atual Arquivo Nacional, a Rádio MEC e a igreja de São Jorge.

Além de ter sido o palco da Proclamação da República (a casa de Deodoro da Fonseca ficava em frente ao Campo de Santana) e dos protestos da Revolta da Vacina, aconteceu no local a coroação do Imperador Pedro I.

Em 1942, com a construção da Avenida Presidente Vargas, a Praça foi dividida em duas.

De um lado, o Palácio Duque de Caxias (1937), Comando Militar do Leste do Exército brasileiro. Ali, foi construído o Panteão Duque de Caxias.

No lado oposto, ficam os jardins do Campo de Santana, grande passeio público, arborizado e urbanizado no início do século XIX.

Tombado em 1968, pelo Instituto do Patrimônio Cultural (INEPAC), tem monumentos famosos, como os que prestam homenagens a Benjamin Constant e a Vicente Celestino, além de Catulo da Paixão Cearense.
O Campo de Santana deve ser olhado como um diamante. É um espaço maravilhoso. De todos nós.
E, deve ser bem conservado.

* Cientista político e porta-voz do Rio Boa Praça.