Saúde Pública e os insensíveis de plantão
Os relacionamentos humanos, em todos os níveis, independentemente de classes sociais, precisam ser pautados pelo respeito mútuo. Isso é o mínimo que esperamos dentro do sagrado direito de ir e vir, em todos os lugares. Mas nem tudo ocorre como gostaríamos que acontecesse em nosso cotidiano, sobretudo nas metrópoles, onde o estresse, a pressa e a nudez de sentimentos de alguns levam ao recrudescimento da sua própria alma. Tornam-se indivíduos indiferentes à existência humana; mesmo quando exercem funções de vital importância na vida das pessoas – como é o caso da saúde pública do país.
O atendimento à população brasileira na rede pública de saúde, devido a uma pequena parcela de servidores, em muitos casos e em todas as esferas da nossa federação é lamentável. São profissionais que entraram para área de saúde pública, não com a vocação de prestarem seus serviços com amor e espírito de abnegação ao próximo, mas apoiados única e exclusivamente por uma estabilidade financeiro-profissional contemplado pela Lei 8112/90, do servidor público. Certamente, o rendimento dos profissionais que se dedicam com louvor na rede pública de saúde é incomparável àqueles que são apenas meros coadjuvantes. Estão ali por um acaso. Faltam aos plantões injustificadamente e por incrível que pareça são capazes de assinar seus pontos, mas em seguida ir embora sem prestarem seus relevantes serviços. Suas atitudes indignas podem levar ao agravamento irreversível na saúde de inúmeros pacientes. É importante frisar que a grande maioria da classe de profissionais da área de saúde pública é digna no zelo pela vida humana!
Necessitamos de servidores públicos da saúde comprometidos de amor ao próximo. De se transportar em ser o outro na busca de soluções satisfatórias por aqueles que agonizam. Com a preocupação constante pela manutenção da vida de quem está sob os seus cuidados! Homens e mulheres a salvaguardar os incapacitados, os enfermos, famintos de atenção pelo restabelecimento da saúde depauperada. A visita inesperada nas enfermarias de zelosos enfermeiros e médicos de distintas especialidades, arrancando o sorriso que ilumina a alma de ambas as partes, é um exemplo de profissionais que amam o que fazem. São esses profissionais que fazem a diferença. Estão sempre dispostos na realização de uma simples sutura para estancar um sangramento, na medicação que alivia a dor, nos exames pré-operatórios, na avaliação do risco cirúrgico e nas necessárias cirurgias! Homens e mulheres que pensem e agem muito além de um simples mortal, revestidos do amor inabalável. O amor cura!
A enfermeira inglesa Florence Nightingale (1820-1910), pioneira da enfermagem mundial, deixou um legado inestimável na sua área. Verdadeiros mandamentos para todos aqueles da área de saúde pública, com uma receita simples: dedicação e amor. Assim ela escreveu a sua história, exemplo, como voluntária da Guerra da Crimeia (1853-1856), conflito que foi travado no sul da Rússia e nos Bálcãs, da qual a Inglaterra fazia parte. Nightingale a partir de então passou a ser conhecida como a Dama da Lâmpada, por cuidar dos soldados ingleses apenas com uma lâmpada em noites geralmente muito frias que caracteriza aquela região. Disse ela: “Escolhi os plantões, porque sei que o escuro da noite amedronta os enfermos. Escolhi estar presente na dor porque já estive muito perto do sofrimento. Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda. Escolhi o branco porque quero transmitir paz. Escolhi estudar métodos de trabalho porque os livros são fonte saber. Escolhi ser Enfermeira porque amo e respeito à vida”. Toda a trajetória de Florence Nightingale, como profissional da enfermagem, foi pautada de capítulos norteados pela ética, estudos, dedicação e amor. Que a sua história seja o livro de cabeceira de todos os profissionais da área de saúde pública, esse universo tão nobre que é cuidar de gente!
* Articulista e poeta
