O impacto do estresse nas organizações
O estresse crônico bateu à porta do ambiente profissional em companhias do mundo todo. Considerado o mal do início deste século, ele é hoje a causa de uma grande variedade de doenças, como o acidente vascular cerebral e o infarto do miocárdio. Após examinarmos mais de 100 mil clientes em nossas clínicas, ao longo de 28 anos de atuação, observamos que 70% deles convivem com altos níveis de tensão. A situação é realmente preocupante. Segundo uma pesquisa da Universidade de Harvard, 80% das consultas médicas em consultórios, ambulatórios e hospitais do mundo têm relação com o problema.
Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e com carga horária crescente em todos os níveis hierárquicos – tida como excessiva por 60% dos executivos, segundo pesquisas , atualmente, as empresas são consideradas verdadeiras fábricas de estresse. Pressão por resultados, prazos curtos para entrega de serviços, reuniões intermináveis e a falta de reconhecimento estão entre as situações que afetam a saúde dos profissionais.
Nem mesmo a prática de atividade física tem compensado o peso do trabalho na vida das pessoas. Um levantamento da Med-Rio registrou que o sedentarismo entre os executivos diminuiu nos últimos 16 anos, mas isso não resultou, necessariamente, na melhora da qualidade de vida deles. Enquanto o sedentarismo caiu 5 pontos percentuais entre homens e mulheres no período, o estresse subiu 13 pontos entre os engravatados e 17 pontos entre elas.
Estudos atestam que o custo do estresse profissional nos EUA passa de 300 bilhões de dólares ao ano. No Brasil, estima-se que chegue a quase 4% do PIB, ou mais de 80 bilhões de dólares, segundo a ISMA (International Stress Management Association). No caso das empresas, o estresse impacta diretamente nos custos médicos, ligados a tratamentos, internações e consultas. Mas, o maior efeito nem sempre é possível de ser mensurado, pois é o prejuízo relacionado à baixa produtividade, ao absenteísmo, ao turnover, ao burnout, além da necessidade de buscar profissionais no mercado devido à dificuldade de reter talentos.
Dados de um estudo elaborado pela ISMA-BR apontam que o estresse foi responsável por um aumento de 140% nos gastos trabalhistas das empresas brasileiras nas últimas décadas. De olho no prejuízo, muitas delas já estão investindo em programas contra o estresse.
Nos Estados Unidos, cerca de 80% das empresas desenvolvem programas de promoção à saúde de seus colaboradores, com o considerável retorno de US$ 4 para cada dólar investido. O indivíduo estressado fica vulnerável à ocorrência de doenças degenerativas e infecciosas, apresenta distúrbios alimentares e de sono, falhas de memória e de concentração e maior irritabilidade. Isso sem contar as dificuldades no relacionamento interpessoal, desestruturação da vida familiar, queda na performance e na eficiência fatores que, somados, podem levar ao desemprego e à depressão. É importante lembrar que, além de investir no bem-estar de seus funcionários, paralelamente, o executivo deve estar atento à sua própria saúde. Vícios como o tabagismo, álcool, maus hábitos alimentares e sedentarismo devem ser evitados. Ter uma condição física saudável, dormir um sono repousante, praticar atividades físicas regularmente e cultivar a espiritualidade são táticas fundamentais para gerenciar o estresse.
É preciso também que as empresas ajam para reduzir os níveis de estresse de seus colaboradores. O uso de metas que sejam realmente tangíveis, por exemplo, é um caminho para diminuir a pressão por resultados. Dar aos empregados responsabilidade, trabalhos significativos e maior autonomia, também contribui para reduzir o nível de estresse. Assim, a área de Recursos Humanos desempenha um papel fundamental, por ter a responsabilidade de acompanhar fatores internos que podem propiciar um ambiente estressante e, consequentemente, encontrar e apresentar soluções adequadas para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores.
* Diretor-médico da Med-Rio Check-up
