Mensagens em massa também foram contra mim, diz Bolsonaro

Por DANIELLE BRANT E THAIS ARBEX

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) comentou nesta terça (18) os envios em massa de mensagens a favor de sua campanha eleitoral pelo WhatsApp e afirmou que, assim como houve disparos favoráveis, também houve mensagens contrárias.

As declarações foram feitas após cerimônia de hasteamento da bandeira nacional que contou com a presença de ministros e do novo secretário de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, que substituiu o também general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

"Teve milhões de mensagens a favor da minha campanha, e talvez alguns milhões contra também", afirmou, ao ser questionado sobre o assunto. Na sequência, Bolsonaro disse ser favorável à "total liberdade de imprensa, manifestação de pensamento". "Não tem que ter limite, porque você nunca sabe qual o limite."

Reportagem da Folha de S.Paulo desta terça relevou que, segundo gravações obtidas pela Folha de S.Paulo do espanhol Luis Novoa, dono da agência Enviawhatsapps, empresas brasileiras contrataram disparos em massa de mensagens políticas a favor do então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nos áudios, ele diz que "empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas" brasileiros compraram seu software para mandar mensagens em massa a favor de Bolsonaro.

Além de obter o áudio, a Folha de S.Paulo confirmou posteriormente detalhes da conversa.

O empresário espanhol disse à reportagem não saber que seu software estava sendo usado para campanhas políticas no Brasil e só tomou conhecimento dessa prática quando o WhatsApp cortou, sob a alegação de mau uso, as linhas telefônicas de sua empresa.

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apenas as campanhas oficiais podem fazer contratação de impulsionamento de conteúdo eleitoral nas redes sociais. Além disso, está proibido o uso de ferramentas de automatização, como os softwares de disparo em massa.

Diferentemente do que fizeram integrantes de sua campanha quando questionados sobre a possibilidade de contratação de disparos em massa por apoiadores, nesta terça Bolsonaro não negou a existência dessa prática.

Em 18 de outubro, uma reportagem da Folha de S.Paulo noticiou que empresários bancaram o envio de mensagens em massa contra o adversário do hoje presidente na disputa, Fernando Haddad (PT).

No dia em que a reportagem foi publicada, o então presidente do PSL, Gustavo Bebbiano, afirmou: "Nunca fizemos qualquer tipo de impulsionamento, de direcionamento. O nosso crescimento é orgânico. Muito antes de começar a pré-campanha, o candidato Jair Bolsonaro já tinha uma rede social muito, muito grande", afirmou.

O então candidato Bolsonaro começou dizendo não ter controle sobre a compra de pacotes de mensagens de por empresas para disseminar material antipetista.

"Não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Sei que fere a legislação. Mas não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência", disse Bolsonaro ao site O Antagonista na mesma data. Posteriormente, passou a dizer que as reportagens eram fake news.

Questionada pela BBC News Brasil se a campanha de Bolsonaro utilizou programas de envio massivo de mensagens via WhatsApp, Karina Kufa, coordenadora jurídica da campanha do candidato do PSL, respondeu: "Não, até mesmo porque não precisa".

Em manifestações de rua, apoiadores usavam cartazes irônicos dizendo que eram "os robôs de Bolsonaro".

O PT vai pedir ao tribunal que investigue a atuação da agência espanhola. A sigla pretende anexar o pedido a uma ação que tramita no TSE desde outubro para apurar o impulsionamento de mensagens durante a eleição presidencial.

Em nota, a presidente nacional do partido, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que "o TSE, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, acionados pelo PT desde o segundo turno das eleições, devem respostas à sociedade brasileira, para que sejam apuradas e punidas as violações à lei e ao processo democrático".

O advogado Eugênio Aragão diz que vai solicitar que a corte inclua Novoa no processo e o ouça na condição de investigado. O caso está sob a relatoria do corregedor-geral eleitoral, ministro Jorge Mussi.

O partido afirma acreditar que as novas revelações podem destravar a ação que corre há oito meses. Até agora, ninguém foi ouvido no processo.