'Com o PSL de um lado, vamos estar do outro'

Por KATIA GUIMARÂES

O Partidos dos Trabalhadores reafirmou, ontem, que não cogita apoiar a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A decisão foi tomada depois que o parlamentar fluminense fechou aliança com o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. “Com o PSL nós não iremos”, disse a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. “Não há nenhuma hipótese de participarmos de nenhum bloco que venha a apoiar qualquer decisão e proposta de candidato que o governo Bolsonaro esteja dentro. O PSL representa o governo Bolsonaro. Nós somos o polo oposto. Se eles estiverem de um lado, nós vamos estar do outro”, disse o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS).

Após reunião da legenda, o deputado afirmou que a intenção é construir um bloco com os partidos que “chamamos de democrático e popular”, reunindo inicialmente PSOL, PSB, PCdoB e PDT. “Queremos construir um bloco e uma articulação com os partidos da centro-esquerda. Essa é a nossa prioridade e, obviamente, estamos abertos a conversar com todos que primam pelo respeito ao Parlamento e às forças políticas”, disse Gleisi.

Apesar de o PDT já ter indicado o apoio a Maia e o PCdoB não ter tomando uma decisão, Pimenta diz que “o lugar” das duas legendas é ao lado da oposição. “É muito importante sinalizar para a sociedade que existe aqui nessa Casa um bloco que tem compromisso com a democracia, a soberania e com os direitos dos trabalhadores. O lugar do PCdoB e PDT é junto conosco até porque eu acredito que a base social desses partidos, os eleitores desses partidos esperam que eles estejam em campo conosco e não com o PSL. É no mínimo constrangedor você ter que explicar a presença desses partidos em um bloco com o PSL”.

Segundo ele, o PT “não quer ser protagonista sozinho de nenhum movimento” e, mesmo que regimentalmente o partido, por ser a maior bancada da Casa, tenha o direito de lançar candidato, ocupar cargos na Mesa Diretora e presidências de comissões, a intenção é apoiar um nome que garanta a autonomia e a independência da Câmara em relação ao Palácio do Planalto. “Não queremos nenhum presidente que tenha qualquer tipo de vínculo, qualquer tipo de compromisso de transformar a nossa Casa num espaço facilitador de objetivos seja quais eles forem”, completou.

Para Pimenta, a pulverização de candidaturas na Casa é positiva, pois favorece o segundo turno na eleição da Casa. “Se, porventura, esse bloco de 140 deputados for um polo de atração de outras legendas, nós podermos superar os 200 deputados, talvez chegando a 220”, disse. Sem citar nomes, ele afirma que o PT irá conversar com todas as legendas que não estão compondo o bloco de Maia e o PSL e o apoio a algum nome vai depender do compromisso que o candidato estiver disposto a assumir. Até o dia 1º de fevereiro data da eleição na Câmara, muita coisa vai acontecer, diz ele, e a decisão do PT só sairá na reunião da bancada marcada para o dia 31 de janeiro.

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