Para estudantes, deputados não farão perguntas “cabeludas” a ministro da Educação
Ana Paula Siqueira
BRASÍLIA
Para os estudantes de Brasí- lia, a ideia de poder fazer per- guntas a autoridades por e-mail, graçasa umnovo pro- jeto da Câmarados Deputa- dos, parece boa. Mas a descon- fiança sobre a classe política fazcom quemuitos nãoacre- ditem que os parlamentares possam, de fato, levar os ques- tionamentos da população pa- ra as autoridades que passam pelas comissões da Casa. A estudante de história Aline Saldanha, 20 anos, até acredita quealguns deputadospode- riam transmitir as perguntas feitaspelos cidadãoscomuns. Noentanto,vê comoremotaa possibilidade de perguntas mais “cabeludas” terem parla- mentares como porta-voz. – O interesse do parlamentar é pessoal.O nomedele éque vai aparecer, e por isso ele não vaiquerer seindispor.Essa embalagem de democracia é muito mal feita – critica. No caso específico do Enem, Aline defende que os estudan- tes prejudicados é quem deve- riam estar na Comissão de Educaçãona próximaquar- ta-feira, para questionar pes- soalmente o ministro da Edu- caçãoFernando Haddad.A colega de curso, Isabel Amo- rim, 19, concorda: – Eles só vão perguntar o que querem. Tratando os assuntos, comosempre, deumaforma superficial. Apesar de não mostrar muita confiança na classe política, Pedro Ulisses,21, argumenta que levar os questionamentos dos cidadãos comuns “é a obri- gação delescomo represen- tantes da população”. Para a sorte dos políticos, a confiança dos jovens ainda não foitotalmente perdida. Segundo Marcele Ferreira, es- tudante deDireito, 19,“eles estão lá para isso”: –Se vocêvotaem umdepu- tado, tem de confiar nele – ar- gumenta, sobos protestosda amiga Raísa Mendes, 21. Raísa acredita que, ante uma pergunta mais polêmica, “eles podem ler e dar uma maquiada”. Mas, reconhece como “avanço” ainiciativa deabertura dodiá- logo com a população. No entan- to, acredita que para ser mais efi- ciente, as respostas deveriam ser enviadas por e-mail aos autores das perguntas.
Ana Paula Siqueira
DESCONFIANÇA – Isabel, Pilar, Aline e Pedro acham a proposta boa, mas não confiam nos parlamentares
