Paulo Roberto Costa teria atuado em campanha de Lindberg no Rio
Se denúncias forem verdadeiras, empreiteiras tem de ser imediatamente afastadas de obras públicas
Reportagem da Folha de S. Paulo deste sábado (11) afirma que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa trabalhou para o senador Lindberg Farias (PT) na campanha da eleições para o governo do Rio, este ano. De acordo com a reportagem, uma das incumbências de Costa seria pedir doações a empreiteiras em nome do candidato.
Em depoimento prestado na quarta-feira (8), Costa afirmara que, no início do ano, foi procurado por um candidato ao governo do Rio. Pelo acordo de delação, o ex-diretor não podia mencionar nomes de políticos com foro privilegiado no depoimento. Mas de acordo com a apuração da Folha de S. Paulo, este político seria Lindberg Farias.
No depoimento, Costa afirmou que foi procurado por um candidato para participar de seu programa de governo na área de energia. O ex-diretor informou que, numa das reuniões, foi lhe entregue uma lista com o nome de empreiteiras que poderiam contribuir. "Participei eu acho que de umas três reuniões com esse candidato lá no Rio de Janeiro, como outras pessoas também participaram. E foi listada uma série de empresas que podiam contribuir com a campanha para o cargo político que ele estava concorrendo. E essa planilha foi, então, encontrada na minha casa. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de que essas empresas participassem da campanha. Foi isso, era uma candidatura do Rio", disse Costa.
Na planilha apreendida havia anotações sobre seis empresas e como elas estavam se comportante nas contribuições para a campanha: Mendes Junior, UTC/Constran, Engevix, Iesa, Hope RH e Toyo/Cetal. De acordo com a reportagem da Folha, no pé da planilha há a anotação do nome Garreta, precedido de um asterisco. A OAS aparece também precedida de um asterisco. O marqueteiro Valdemir Garreta foi contratado por Lindberg para cuidar da produção de sua campanha na TV e para prestar assessoria de imprensa.
Por meio de sua assessoria, o senador Lindberg Farias confirmou que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa participou da preparação de seu programa de governo. Lindberg negou, contudo, que Costa tenha participado da captação de doações.
"Em janeiro de 2014, Paulo Roberto Costa esteve em três reuniões de preparação do programa de governo. Nessas ocasiões, tão somente discutiu com especialistas propostas para a área em que detinha conhecimento, a de óleo e gás. Não se pode confundir isso com atividades ilícitas do ex-diretor posteriormente reveladas pela chamada Operação Lava Jato", diz nota da assessoria.
O envolvimento de políticos, em campanha ou não, com empreiteiras é uma prática já denunciada inúmeras vezes pela grande mídia. Nessas mesmas eleições, o candidato pelo PRB, Marcelo Crivella já denunciou em debates o envolvimento de empresas com políticos. Também o candidato do Psol, Tarcísio Motta, repetidas vezes afirmou nos debates que todos os seus adversários eram, na verdade, "Cabrais", e que o envolvimento de políticos com as grandes empreiteiras era uma prática disseminada nas campanhas.
As acusações contra Lindberg Farias, pela sua gravidade, deveriam ter sido respondidas diretamente pelo senador, e não através de uma assessoria de imprensa. A acusação parte de um réu confesso, e se cabe a crença num criminoso que admite seus crimes, se todas as denuncias se confirmarem como verdadeiras, estas empreiteiras não podem continuar trabalhando com o governo. O crime tornou-se público com a delação premiada, que é reconhecida pela Justiça. Costa, mesmo sendo um criminoso que admite seus crimes, está tendo os privilégios garantidos pela delação premiada. Mas as empreiteiras não podem continuar a prestar serviço para o povo tendo o governo como intermediário. Elas minimamente têm de ser consideradas inidôneas. Ou mesmo deveriam ser estatizadas pelo governo para que as obras não fossem obrigadas a ser suspensas, prejudicando ainda mais o povo.
