Choque da moralidade

Por

O senador Pedro Simon, há anos, insiste com uma CPI dos corruptores. A razão das crises institucionais que o país já sofreu e que pode continuar a sofrer é sempre a mesma: corruptores. Eles são os alavancadores da destruição moral na política brasileira. Os corruptos são os mesmos, só mudam o sobrenome. Em compensação, os corruptores não mudam nada, são as mesmas S/A. 

Em alguns estados, quase que a corrupção, além de endêmica, é familiar. Famílias corruptas, de geração em geração, são sempre parceiras dos corruptores. No Estado do Rio de Janeiro, que foi capital da República, a corrupção, com os corruptos e os corruptores, sempre esteve nas primeiras páginas dos jornais, com os escândalos que constantemente evoluíram no país para a crise institucional. O Rio de Janeiro sempre foi caixa de ressonância do país. Agora, em alguns estados, as famílias, além de terem pertencido a quadros de corruptos, já foram promovidas, por também terem negócios com o Estado, a corruptores.

>> 'Veja': Paulo Roberto começa a revelar nomes de esquema da Petrobras

A revista Veja que circula deste ontem nas bancas do Brasil faz denúncias que podem novamente abalar as instituições brasileiras. Nós temos certeza que isto não acontecerá. As instituições são muito fortes para não impedir um novo acidente no processo institucional brasileiro. Espera-se uma ação por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até porque, essas denúncias envolvem parlamentares e sai da esfera da justiça comum do Paraná, representada por um juiz que simboliza a elite da magistratura brasileira. Constitucionalmente, o caso tem que ir para as instâncias do STF. 

No governo do presidente Itamar Franco, na CPI dos anões do orçamento, o então mandatário não esperou a conclusão da CPI para demitir um de seus ministros, que supostamente poderia estar envolvido no processo. Mandou que provasse sua inocência. Esta comprovada, Itamar voltou a nomeá-lo. Assim é como deve ser com todos os homens públicos, quando recebem esse tipo de acusação e ela é feita em instituições que o povo não pode duvidar. 

Se há dúvida quanto à verdade das denúncias, o que esperam os acusados que até agora não tomaram qualquer decisão em defesa de seus nomes? O que fez o poder público com a  Advocacia-Geral da União, que já deveria ter defendido seus representantes, do poder executivo e do poder legislativo, apontados nessa revista como envolvidos em corrupção?