Paes admite erros e brinca que papa é 'criador de engarrafamentos'

Por Marcus Vinicius Pinto

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), garantiu que a prefeitura está trabalhando para evitar que o papa Francisco volte a ter problemas com o trânsito nos próximos quatro dias em que estará na cidade, durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). "O papa é um criador de engarrafamentos", brincou Paes, em referência ao fato de o Pontífice gostar de estar perto das pessoas e ser um desafio para a segurança.

Paes assumiu e dividiu a culpa do problema na Avenida Presidente Vargas, na segunda-feira, com o governo federal. "As falhas aconteceram, mas graças a Deus o papa não passou risco real", disse Paes, duvidando que isso pudesse acontecer em algum outro país. "O povo da cidade provou que sabe tratar o papa e até o protegeu", disse. 

Eduardo Paes revelou trecho de sua conversa segunda-feira com o papa Francisco, que disse ao prefeito que "seu maior pecado é não seguir as regras de segurança", disse.

Paes admitiu também falhas na saída dos peregrinos da missa de abertura da Jornada, em Copacabana, na terça-feira. Principalmente para quem foi até Coelho Neto e teve que pegar ônibus até a zona oeste. "Deveríamos ter previsto isso, falhamos e estamos trabalhando para que isso não aconteça mais", afirmou. Sobre a atitude de motoristas de ônibus que se negaram a pegar passageiros e peregrinos na avenida Brasil na noite de ontem, o prefeito disse que vai multar os consórcios.

A partir de quinta-feira e até segunda-feira ao meio-dia, o Rio de Janeiro vai viver um grande feriadão, e por isso Paes acredita que a visita ao papa à Tijuca vai ser o último grande transtorno da população com a visita de Francisco. "É o ultimo evento do papa circulando pela cidade sem feriado ou sem fim de semana", disse. Paes não citou, porém, que dos sete dias previstos para a estada do papa no Brasil, apenas um não teve a presença do Pontífice nas ruas, na terça-feira, quando ele passou o dia descansando no Sumaré.

Transtorno maior terão os moradores de Copacabana. A avenida Atlântica vai fechar a partir da meia-noite desta quinta-feira e só reabre às 4h de sábado. Às 12h, a circulação de carros será interrompida e, a partir das 14h, a de táxis e ônibus também, até que todo o público que vai à Benção de amanhã ou à Via Sacra de sexta-feira saia do bairro. Só será possível chegar de ônibus até a enseada de Botafogo e Ipanema, e daí seguir caminhando até o local da missa. O prefeito lembrou que peregrinos e cariocas só vão poder usar o metrô se comprarem os bilhetes especiais disponíveis.

Para a saída, tanto de Copacabana ou de Guaratiba, Metrô e Supervia vão funcionar 24 horas até segunda-feira. "Não temos ideia de quantos ônibus de turismo ainda podem chegar à cidade nos próximos dias", disse Paes, que estima que o público da missa final, domingo, em Guaratiba, ultrapasse 1,5 milhão de pessoas, o que pode extrapolar o cálculo feito pela prefeitura de que as pessoas vão levar cerca de 10 horas para deixar o Campus Fidei totalmente livre.