Michel Temer: “Temos que governar para a classe média”
Vice-presidente falou a empresários no 10º Fórum Empresarial de Comandatuba (BA)
“Os empresários são a mola motriz do país”. Com essa frase o vice-presidente da República, Michel Temer, iniciou sua fala no 10º Fórum Empresarial de Comandatuba, na Bahia, ontem, em evento que reúne os maiores empresários do país, além de governadores, ministros do governo, senadores e deputados. Temer, no entanto, logo saltou para o compromisso social – digamos, a mola motriz do governo da presidente Dilma Rousseff – e tratou de apresentar a “nova classe média” como foco do viés sócio-econômico do Planalto. Não só isso. Lembrou que a meta é tirar mais gente das classes C e D, porque no Brasil, segundo o vice, “51% da população brasileira já estão na classe média”.
– Trinta milhões saíram das classes C e D e foram para a classe média, e é interessante como esse debate veio à luz, porque há uma nova classe média no país – disse o vice. – Esses que ascenderam se tornam mais reivindicantes, querem mais espaço. (A presidente) Dilma disse: “Vamos continuar a erradicar a miséria no país”.
Para o vice, na função de ajudar a cumprir a meta supracitada, o primeiro lance “é pegar essa gente toda e colocar na classe média”.
– Existe uma nova classe média, 30 milhões são classe média, temos que governar para eles.
Alvo de denúncias recentes dando conta de suposta participação em recebimento de propina através de empresas que atuam no Porto de Santos – denúncias estas que foram arquivadas pela Justiça semana passada por falta de provas – Temer não perdeu a oportunidade de alfinetar a imprensa. Pediu mais responsabilidade, mas lembrou que sempre defendeu a liberdade de expressão e que essa instituição fortalece a democracia.
– Verifico que a presidenta Dilma, logo no dia da sua vitória, deixou claro o apreço pelas liberdades fundamentais. Como a liberdade de imprensa. E o Brasil é um país republicano porque todos respondem pelos seus atos.
Relações Exteriores
O vice usou como prova do bom momento internacional que o Brasil vive a presença recente do presidente norte-americano, Barack Obama.
– A vinda do Obama ao Brasil revelou o respeito que o país ganhou no ambiente internacional. Ele veio logo no início do governo Dilma, trocando idéias, formulando novas posições, que são fundamentais para o país, mas diante do surgimento de outras forças mundiais, a presidenta tratou de ir à China.
Reforma tributária
– Vamos acabar com a guerra fiscal, vamos trabalhar para isso, mas não é fácil – disse o vice-presidente para uma plateia interessada no assunto.
À sua frente, alguns os governadores que lutam entre si para atrair investidores para seus estados – daí a menção ao assunto, por Temer – e também presentes os CEOs e até proprietários das maiores empresas , convidados pelo Grupo de Líderes Empresariais e anfitrionados pelo organizador do evento, João Dória Jr.
A questão da desoneração da folha de pagamentos é algo que está em discussão no governo e que interessa ao setor produtivo do nosso país, cujos representantes marcam presença no fórum até este domingo.
