Heloisa Tolipan

Por Heloisa Tolipan

Embalo dos sonhos

Saudades da época em que ideia de igualdade social era uma meta e não um comodismo? Bom, então, o remédio para isso é...dançar. Exatamente. E não se trata daqueles ‘se ela dança, eu danço’ ou demais pancadões que recebem o rótulo de música de periferia. O ritmo em questão é a música clássica mesmo!  Isso graças à cia. Dançando Para Não Dançar, que faz da dança um caminho para jovens de 13 comunidades, desde 1995. “Quando morei em Cuba, tive acesso ao trabalho de um balé nacional, feito com as crianças órfãs do período da Revolução. Então, fiquei animada com a ideia de montar um balé nacional. Assim que voltei para o Brasil, já comecei a tocar o projeto da companhia e não só nos restringimos a dança em si, mas busquei convênio com cursos de inglês, de alemão e demais línguas que possam ser importantes para a integração das nossas bailarinas com a sociedade internacional. Viramos um ponto de cultura para a sociedade do Rio”, diz a bailarina Thereza Aguilar, coordenadora do projeto.  E como quem sabe faz ao vivo, o grupo vai mostrar todo seu rebolado no espetáculo Favela, que será apresentado na quinta-feira, na Escola Estadual Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa. “Nesta nova coreografia, há uma mistura de hip hop com clássico, feita pelo maestro Leandro Braga. E escolhemos a escola em Santa Teresa para mostrarmos à própria comunidade a arte a qual estamos desenvolvendo. Dos que fazem aos que recebem o movimento artístico, todos são da comunidade”, acrescenta. E aí, dança com elas? 

Programa de ‘Indio’

Várias tribos e uma certeza: é Coachella o festival que melhor resume a comunhão entre música e comportamento. Este ano, mais uma vez, a cidade de Indio, Califórnia, viu um desfile de looks plumados e cores vibrantes. O evento consagrou, definitivamente, nomes que marcaram a década passada com sua gênese exuberante, como The Strokes, Arcade Fire, Kings of Leon e Kanye West, que conseguiu se impor diante da tradicional vibe roqueira do Coachella. No mais, outros 146 shows inesquecíveis e um esquema de segurança rígido, mas na medida, sem afetar a alegria de 450 mil espectadores que por lá passaram, em três dias de festival.

‘I'm a Barbie Girl’

Você já conhece a versão patinadora, veterinária, havaiana, estrela de Hollywood e, a última edição da Love Magazine, trouxe-a como top model com corpo e carão de Alessandra Ambrósio. A boneca Barbie foi a inspiração para o editorial da publicação inglesa que mostra as principais tendências do verão europeu, clicado por Solve Sundsbo. Assim como a graça de ter uma Barbie é poder trocar a sua roupa, a stylist Victoria Young brincou de escolher os looks grifados, recém saídos das passarelas e que vestiram a angel: estampa étnica Versace, color blocking com peças Stella McCartney, sapatos de bolinha à la Marc Jacobs e a camisa Céline com estampa de lenços que vestiu Kanye West no Coachella – e gerou o maior burburinho sobre a veia fashion aflorada do cantor.  A pele milimetricamente tratada com photoshop, o cabelo com ondas largas, bem no estilo comercial de shampoo e o batonzão vermelho de efeito molhado vieram só para reforçar o ar das ‘bonecas’ que figuravam o imaginário masculino durante a Segunda Guerra Mundial, as pin ups. Quem já está com vontade de encomendar a sua mini Alessandra?

À francesa

Simbolizadas por Inès de La Frassange elas são tomadas como referência quando se trata de elegância, estilo atemporal e nonchalance. Agora, os segredos das mulheres parisienses estão no livro Parisian chic, assinado por sua maior representante e eterna musa da Chanel – lembra dela no último desfile da maison, ao lado de Karl Lagerfeld? No guia, Inès dá dicas de como conseguir a sofisticação daquelas que nasceram nos arredores dos Champs Élysées. E, para mostrar que este charme é atemporal, produções feitas para ela e sua filha, Nine, de 17 anos, com as mesmas peças coringa do closet das francesas, figuram nas páginas do livro. O mundo fashion, claro, já se encantou pela garota, que anda recebendo diversos convites para estrelar campanhas e editorais em revistas – todos negados para não atrapalharem os estudos. Por mais que existam guias certeiros, esse je ne sais quoi é mesmo hereditário.