Editorial: Depois da chacina, tranca na porta das escolas do Rio
Depois da porta arrombada, chama-se o chaveiro para colocar vários trincos e cadeados. As medidas de segurança nas escolas municipais anunciadas ontem pela Secretaria de Educação atestam que, no Brasil, a falta de iniciativa dos governantes cobra sempre um preço alto. Desta vez, pagamos com as vidas das 12 crianças mortas a tiros por um desequilibrado no colégio Tasso da Silveira, em Realengo (Zona Oeste do Rio).
Consumada a tragédia, a secretária Cláudia Costin promete colocar um inspetor em cada andar de cada escola municipal. Deverão ser contratados para isso mais 1.844, que se juntarão aos 500 de hoje. Também serão admitidos porteiros e todo visitante só terá acesso às dependências das escolas mediante identificação prévia e concessão de um crachá. Também serão instaladas câmeras de segurança em todos os 1.064 estabelecimentos de ensino municipais que solicitarem – atualmente 200 contam com esses equipamentos.
A má notícia é que todo esse reforço na proteção aos alunos não tem data prevista de implementação. Os 1.500 porteiros, por exemplo, serão contratados “nos próximos meses”.
Há muito, o clima de violência nas escolas do município assusta estudantes, familiares, docentes e funcionários.
A própria secretaria admitiu que todas essas medidas já eram solicitadas pelos pais dos alunos e pelos professores. Então, por que foi preciso ocorrer uma chacina para que a decisão fosse tomada?
