Editorial: As concessionárias fazem o que querem no Rio

Por Editorial

O vazamento de cerca de 5 milhões de litros de esgoto nas ruas de Niterói foi mais uma amostra da deterioração dos serviços públicos no estado do Rio. Desta vez, rompeu-se uma das paredes da estação de tratamento  na Praça Azevedo Cruz, Centro da cidade. Carros foram arrastados, lojas e casas, inundadas de dejetos. Nove pessoas ficaram feridas.

A direção da empresa Águas de Niterói informou que vai indenizar as vítimas, mas o prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira, sequer visitou o local do acidente, ocorrido no domingo. Para os moradores, vai ficar a lembrança do líquido imundo que muitos chegaram a ingerir ao serem levados pelo tsunami imundo.

No Rio, bueiros explodem sem aviso prévio, seja por acúmulo de gás ou por  curto-circuitos em redes elétricas sem manutenção. As concessionárias se penitenciam, prometem reparos emergenciais, mas parece que estão apenas jogando para a  torcida.

Da mesma forma, as panes no metrô e as condições desumanas de tráfego na Linha 2 são sempre tratadas com panos quentes pelo governo estadual. Os trens da SuperVia e as barcas que cruzam a Baía de Guanabara também deixam a desejar, seja no estado das composições e embarcações, na dificuldade de cumprimento de horários ou na superlotação constante.

Temos a impressão de que empresas concessionárias fazem o que querem e que nossos representantes eleitos para ficalizá-las agem, na verdade, como  seus sócios.