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Heloisa Tolipan

Por Heloisa Tolipan

O que os olhos não veem, os flashes capturam...

Mal a nova semana começou e já estamos cheios de saudades do passado bem recente, quando vitrines de Brasília viraram-se completamente para ver a moda passar. Que as curvas dos cenários políticos, tão demarcadas pelo lápis forte de Oscar Niemeyer nos perdoem a incitação ao ciúme, mas, não há como negar que, na semana que passou, a beleza fundamental ficou por conta das curvas que balançaram o Claro ParkFashion. Ali, em um espetáculo de alto nível, bem acessível e diante dos mais diversos olhares curiosos e coloridos, como bem pôde ver os cliques de nosso fotógrafo-fiel escudeiro Carlos Zambrotti. Olhos, lentes, luzes, câmeras, ações que, muitas vezes se deslumbram com o resultado final, sem nem poderem sentir a arte do backstage. Atrás da cortina, o frio na barriga de cada menina, de cada mulher, de cada boca, nariz, olho, alma que, em poucos segundos, irá se despir da monotonia do cotidiano e seu próprio sabor de fruta mordida, para vestir de arte, tendência, opinião, luxo, glamur, rumo ao topo da passarela e àquela viradinha estratégica. 

E até os astros da telinha, que tanto têm seus nomes marcados em nossa coluna ao longo do ano, despreendem-se de seu papel social para deslizar na coleção. Thaila, Jonatas, Giovanna, Bruno, Sophie, Malvino, deixamos alguém de fora? Ah, sim, claro: você, que não piscou diante das coberturas de nossa coluna. No fim, um grito, de alívio, de vontade de se abafar em meio à multidão de aplausos, um gozo, como o pulo de Jackson Araujo retratado não nos deixa mentir. Ufa, passou o nervosismo, dever cumprido! Ufa, a vida é o limite! Ou melhor, a eternidade, como as boas lembranças de Elizabeth Taylor nos proporcionaram. E, no final o que sobrou do céu na capital de estrelas? Os fragmentos de um espaço rompido, entre as passarelas e as vitrines preenchidos pelo líquido de ousadia e qualidade, como foi o caso do desfile de Daniel Ueda, um momento da semana que se vale guardar dentre os cacos dos muitos queixos caídos da plateia. E nós, sempre, eternos vigias da poesia que o mundo da moda de Brasília entorna no chão do mundo.