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Heloisa Tolipan: Park Fashion

Por Heloisa Tolipan

Brilho eterno de um olhar com lembranças

Olhos iguais àqueles ainda não foram encontrados por aí. Há quem diga que eram cor de violeta e quem só os ache de um azul incrível, mas partindo deles, já se pode perceber que Elizabeth Taylor é única. “Li essa semana que as pessoas podem ser substituídas, mas não acredito nisso. Ainda mais se falarmos de nomes marcantes como Ghandi, Einstein e a própria Elizabeth. Eles deixaram sua marca na história, e são impossíveis de serem substituídos”, pontuou Reginaldo Fonseca, diretor-executivo do Claro ParkFashion, em Brasília. A quarta-feira começou com a surpresa nada agradável da morte da atriz, que já foi musa de Valentino e Givenchy, sem contar os joalheiros que não se cansavam de caçar gemas especiais para presenteá-la com uma joia. É por essas e por outras que Liz deixou sua marca no mundo da moda, além do cinema (quem não se lembra de sua interpretação de Cleópatra?). Aproveitamos a reunião da moda que está acontecendo no ParkFashion para perguntar aos que lá estavam qual foi o legado que Elizabeth Taylor deixou à moda.

— “Ela imprimiu a possibilidade de ser bonita e feia, alegre e triste, fracassada e bem sucedida. Nos mostrou que a vida real se sobrepõe ao sonho” Jackson Araujo, DJ.

— “Todo mundo a admirava, seja pela elegância ou pela sofisticação. E quando se admira alguém, se quer ser igual àquela pessoa no cabelo, nas roupas, na maquiagem, nas joias...todos queriam copiá-la. Uma vez eu a vi no aeroporto de Nova York, ela era nada menos do que incrível. Chiquérrima, rodeada de seguranças carregando as mil malas grifadas dela. Todos no saguão pararam para vê-la. Ela tinha uma presença impressionante, uma energia contagiante. Acho que nem quem viver por 200 anos, conseguirá ser igual à ela”. Reginaldo Fonseca.

— “Acho que o mais marcante nela era esse ar de nobreza, como se ela estivesse sempre em um nível acima de todos. E essa postura não era ‘treinada’, vinha de dentro” Felipe Teobaldo, do Neonico.com. 

— “Ela nos mostrou o poder de usar a fama e a notorieade para fazer alguma coisa boa para o próximo” Ricardo Tozzi, ator.

— “Além dos olhos, claro, da beleza estonteante e do talento, o mais marcante nela foi a entrega a causas filantrópicas” Sophie Charlotte, atriz.

— “Gente, só 79 anos? Não é possível! Acho que ela ensinou às mulheres a mentirem a idade” Daniel Ueda, editor e consultor de moda, ao decobrir com quantos anos Liz morrera.

Eu vou chamar o síndico!

Quando você vai a uma festa de aniversário só quer saber de admirar a decoração, elogiar as cadeiras confortáveis, conversar com os conhecidos convidados que você adora, dançar com a setlist diversa e bem escolhida e provar todos os quitutes do bufê, certo? Mas já parou para pensar em quem organizou essa superfesta, como essa pessoa trabalhou antes e durante, para tudo dar certo e você sair de lá feliz e cansado? É mais ou menos esse o trabalho de Reginaldo Fonseca, diretor-executivo do ParkFashion. Mas a festa dele são super eventos de moda. “Aqui, todo o trabalho é pensado por mim, pelo Jackson Araujo e pela Cilene Vieira. Depois de meses de planejamento, nós vamos dando vida ao projeto e cabe a mim ver se tudo está dando certo, as provas de roupa, os convidados na sala, os estandes, a iluminação, a refrigeração, a ordem dos desfiles... tudo. Os mínimos detalhes. Além de coordenar mais ou menos 400 pessoas que estão envolvidas na realização do evento. Essa edição, inclusive, é a que está dando menos trabalho. Talvez, porque já está tudo engrenado, todos sabem o que precisam fazer”, nos contou Reginaldo, diretor da Cia Paulista de Moda, que produz eventos no setor Brasil adentro. Claro que quisemos saber como é viajar o país inteiro levando moda, mas depois de uma pequena pausa para ele pedir a alguém que diminuísse a potência do ar condicionado: estava superfrio. “É um desafio sempre. Primeiro porque passamos 10 meses longe de casa. Enquanto todo mundo pode dormir na sua cama depois de um longo dia de trabalho, nós vamos de hotel em hotel. É muito difícil ficar longe da família. Além disso, cada cidade tem costumes diferentes e nesse meio precisamos lidar com a vaidade e o ego de muita gente. Mas, apesar de tudo isso, é muito gratificante. Moda só vira moda quando é mostrada para muita gente, grandes plateias. O que os olhos veem, o coração sente e a mão assina o cheque (risos). Nós levamos a informação de moda às pessoas e despertamos o desejo pelo assunto no Brasil”, completou.

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O ator Ricardo Tozzi voltou a Brasília, cidade que tanto visitava a trabalho, para participar do desfile coletivo no ParkFashion. Calma, ele não vinha para essas bandas de cá com aspirações políticas ou laboratório para um personagem. Ricardo andou de terno e gravata diariamente, por 10 anos, quando foi diretor da Câmara Americana de Comércio. “Aliás, se não tivesse deixado de ser executivo, seria eu quem receberia o Obama, no domingo. Sei disso porque vi quem ficou no meu lugar ao lado dele na TV”. Mas, “lá em cima”, como ele se refere ao cargo que ocupava, estava ficando muito sem graça e ele recorreu ao teatro como hobby e acabou se apaixonando, para nossa alegria. A colega de profissão Sophie Charlotte iria dividir a passarela com ele dali a pouco e parou rapidinho para conversar com a gente. Mal se despediu da Stephany, de Ti-ti-ti, Sophie já está embarcando em outro projeto. Ela foi convidada para participar de um longa do cantor Lenny Kravitz: a primeira leitura do roteiro com o diretor foi ontem, só que, mais sobre a trama de Blind Basterds Club ela não poderia falar. Inevitável seria perguntar sobre o fim do relacionamento com Malvino Salvador. “Vamos continuar amigos, sem dúvida”. Assim que é bom, né, gente.

Quero ser Anna Wintour

No filme O diabo veste Prada, a personagem de Anne Hathaway é bombardeada com a frase de efeito para fazê-la aguentar trabalhar com “a diaba”: “todas as mulheres do mundo morreriam para ter o seu emprego”. A verdade é que todas as mulheres do mundo gostariam de ser a sua chefe, uma caricatura da temida editora da Vogue americana, Anna Wintour. Por mais maldosa e insensível que a personagem possa ser, o carisma do filme ainda faz meninas novinhas suspirarem com a possibilidade de se tornarem Anna, um dia. Ou qualquer um dos designers queridinhos da temida. Duvida? Então conheça melhor esses mini fashionistas e grave os rostos deles, quem sabe eles não serão as estrelas de um filme sobre o mundo da moda, no futuro?

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Maria Theodora de Albuquerque, 13 anos — Grudada em um notebook e com câmera fotográfica à mão, encontramos Maria Theodora, que foi apresentada ao mundo dos blogs pela mãe advogada, a mesma que ela ficava admirando enquanto se arrumava pela manhã, e hoje se dedica ao seu próprio endereço (enteddyada.com). Sonha em trabalhar na Vogue e ser como sua musa inspiradora representada no seu filme favorito, O diabo veste Prada, lógico.

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Laura de Paiva, 11 anos — Laura saiu do colégio e foi correndo para a tenda do ParkFashion para dar uma olhada na agitação, de uniforme e tudo. “Desde pequenininha” se interessa por moda e usa a internet, especialmente os blogs, e a revista Capricho como fonte de pesquisa e informação. Apesar de ser fã da publicação, seu sonho é ser estilista para dar vida aos vestidos que desenha de vez em quando.

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Ingrid Fleury, 14 anos — Não é preciso muito tempo para reparar na veia fashionista de Ingrid. Tá na cara, ou melhor, na (falta de) cabeleira. O encanto pelo mundinho fashion foi despertado há uns 2 anos, enquanto assistia à Temporada de Moda Capricho (revista, aliás, que cumpre o papel de Vogue das pré-adolescentes). Desde então está mergulhada no mundo dos blogs e no seu omeucloset.com, onde treina a escrita e a reação do público com o que escreve para um dia ser jornalista de moda de uma grande revista. Igual à (adivinha?) Anna Wintour.

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André Castro, 20 anos — André não é mais mini, já está na casa dos 20 anos, mas a paixão por moda vem de muito antes, quando começou a se montar para ir ao Espaço Galeria, aqui em Brasília. Adepto do visual andrógeno, David Bowie é uma inspiração ao rapaz, que hoje é host de uma casa noturna, produtor de festas alternativas e estudante de moda no IESB. Apesar de não seguir tendências, adora Thierry Mugler e quer ser stylist, mas sem deixar a veia de produtor na noite de lado.

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Letícia Ester, 9 anos — Apesar da pouca idade, Letícia já adora acompanhar os desfiles “de gente grande” e os que sua amiga Duda participa: já foi assisti-la duas vezes. Ela quer mesmo é ser modelo, mas também aceitaria um espacinho no meio dos estilistas. Ela tentou esconder o jogo, mas descobrimos que a menina que fez um crash de estampas com o vestido xadrez e o arco florido passa horas na internet se informando sobre moda. “Na hora de comprar roupa, ela já sabe o que ela quer, o que está na moda e como vai combinar. Até calça de renda ela tem!”, confidenciou a mãe.

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Beatriz Santos, 14 anos — Beatriz acompanha a amiga Isabela na paixão. Tudo o que fazem, fazem juntas, até filar as revistas da ‘tia’, mas ela gosta mesmo é de assistir a programas de TV e de conhecer a moda através da internet. O sonho meeesmo é ser modelo, mas não acharia ruim desenhar vestidos como profissão, já que faz isso nas horas vagas mesmo...

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Isabela Accioly, 14 anos — Faz uns 3 ou 4 anos que Isabela se apaixonou pelo mundo fashion e tira uma casquinha das Elles e Vogues que sua mãe compra. Apesar dos desenhos que faz, de vez em quando, ainda não tem muita certeza do que quer fazer na área, só sabe que gostaria de conviver com vestidos e jaquetas.

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Acho que os desfiles começaram mais tarde na quarta-feira para compensar a correria que seria o backstage. O primeiro bloco de desfiles teve a atriz Carolina Oliveira para a M.Officer. Não está lembrando dela? É a menininha de Hoje é dia de Maria! É, ela cresceu, apareceu e já teve até par romântico em Ti-ti-ti, seu último trabalho. O projeto agora é terminar o Ensino Médio e embarcar na faculdade de moda. Aliás, ela faz questão de frisar que não quer entrar no mundo das linhas, agulhas e croquis por influência da novela, como muitos podem pensar. O desejo é antigo. Enquanto a mocinha se ajeitava na fila para entrar na passarela, um grupo de mulheres se empolgou em um canto. Era o ator André Bankoff chegando para desfilar pela TNG. Achamos que o Ken, namorado da Barbie, foi inspirado nele, que tem realmente cara de boneco – aposto que todas as mulheres que lá estavam concordam com o tamanho da sua beleza. André foi relembrar os tempos de modelo, que, na adolescência, conciliava com a paixão pelo teatro e o futebol (!). No entanto não havia nenhuma aspiração a ser jogador: “era coisa de moleque, de brincadeira”, inclusive quando foi morar com a mãe no exterior. Para fazer o paleontólogo Tiago, de Morde e assopra, André estudou paleontologia e vai continuar convivendo com profissionais da área até o final da novela. Mas como a trama está no comecinho, deu para ele relembrar os velhos tempos e arrancar gritinhos das moças que o viram desfilar.