Heloisa Tolipan: Paris Fashion Week

Por Heloisa Tolipan

Chanel

Se Kate Holmes consagrou as calças boyfriend, ao que tudo indica, Karl Lagerfeld emplacará as calças-operário: largas, escuras e compridas, que formavam até um volume sobre os pés calçados com coturnos e sapatos oxford. Mademoiselle sofreria ao ver seus casaquinhos de tweed sobre tais peças, mas Karl consegue tudo, até fazer a produção ser admirada. Parte da aceitação deve ser dada à ambientação apocalíptica, que fazia parecer que as modelos estavam andando sobre rochas vulcânicas, daí a justificativa dos coturnos. Mas as que não abandonam a elegância fizeram seu passeio pelos arredores do vulcão em calças de barra dobrada, scarpins de bico fino e saltos pequenos, longos de tweed e macacões de renda, peças a serem observadas, já que tudo o que Karl põe na passarela vira hit - lembra do episódio das clogs?

Elie Saab

Enquanto alguns apostam forte no color blocking e outros preferem o monocromatismo,  o styling do desfile de Elie Saab uniu os dois. As belles de jour entravam com looks totalmente pretos, vermelhos, roxos, cinzas ou beges e a mistura de todos esses tons na passarela fizeram do desfile uma grande brincadeira com blocos de cor. Os longos fluidos ou mais estruturados, com fendas ou comportados, de chiffon lisos ou com bordados infinitos, mas sempre com a cintura marcada, serão vistos em várias celebridades nos red carpets mundo afora, certeza.

Louis Vuitton 

Um dia, Bernard Arnault, presidente do grupo LVMH, que detém a Louis Vuitton,  conversava com Marc Jacobs sobre a paixão “inexplicável” que as mulheres têm por bolsas (lembre-se, ele é dono de um luxuoso grupo que tem nelas um de seus pilares) e foi dessa conversa que surgiu o tema da coleção desfilada na quarta-feira: o fetiche.  No cenário de hall de hotel, as arrumadeiras da LV entravam uma atrás da outra, mais fetichistas do que nunca. Transparências mil, botas acima do joelho em vinil, corselets e hot pants se contrapunham a casacos de inspiração militar com enormes botões, casacos de pele que lembravam bichinhos de pelúcia, mangas amplas, que nem as do Inverno de Lucas Nascimento por aqui, e calças johdpur, com bastaaaante volume no quadril - o que ninguém curte. O papel de arrumadeira mais saidinha ficou para Kate Moss, que fechou o desfile com um cigarro à mão e hot pants (fora) das pernas.

Miu Miu

Pelo jeito, Miuccia se confundiu em seu escritório e acabou enviando os croquis da Miu Miu para a Prada e vice-versa. Enquanto a coleção da “marca mãe” foi bem juvenil, aqui, as produções estavam maduras e carregadas de influências dos anos 40. Os comprimentos estavam lá debaixo do joelho, as mangas, compridas, e a cartela de cores era baseada em preto, branco, beges, mostarda e um tom meio barro, meio tijolo. A estampa de pássaros, hit do inverno passado, voltou maior, e dividiu espaço com flores brancas delicadas lisas para o dia, e bem bordadas para quando o sol se esconde. O toque divertido ficou por conta dos sapatos cheios de glitter e da gola branca que parecia estar no lugar errado.

Alexander McQueen

Já faz um ano que Alexander McQueen se foi, mas Sarah Burton o conhecia tão bem, que, coleção atrás de coleção, nos faz pensar, por alguns minutos, que Lee ainda está por aqui. O ar vitoriano, a opulência real e a transgressão fetichista estavam todos ali, na coleção inspirada em rainhas do gelo. E, falando em realeza, dizem por aí que Kate Middleton teria escolhido a designer para desenhar o seu vestido de noiva. Fica o mistério se a profusão de vestidos brancos volumosos, com quilos de organza, bordados e peles seria uma indireta ou uma previsão. Se fosse Kate, qual você escolheria?

Jean-Charles de Castelbajac

Não seria demais dizer que a marca é a Neon parisiense. Estampas divertidas? Check. Inspiração surrealista? Check. Caftans? Check. E até a cartela de cores com muito preto, branco e vermelho e as aplicações de mãozinhas que estavam na última coleção de Inverno de Dudu Bertholini e Rita Comparato, apareceram sobre os seios da brasileira Débora Müller. Se a cada temporada, um personagem da Disney aparece para deixar tudo mais divertido, dessa vez, houve mais de um escolhido. Na verdade, foram 101, dálmatas, com suas carinhas sempre sobrepostas, como em uma colagem, ou em uma foto de todos eles juntos sobre vestidos, bolsas, saias e casacos.

Yves Saint Laurent

Se a padronagem Príncipe de Gales dominante era essencialmente masculina, a silhueta era baseada nos femininos anos 60. Comprimento acima do joelho, vestidos e saias em linha A com cintura escorregadia, lá sobre os quadris. O jogo boysh estava também nos pés: longas botas pretas, mocassins e oxfords com salto plataforma, para quem não consegue descer ao chão. No final, uma série alva rompeu a paleta escura com terninhos, um poncho de plumas e vestidos mais fluidos, com a cintura marcada por cintos dourados, lembrando os anos 70 que consagraram Yves Saint Laurent.

Valentino

 Romântica. Essa é a palavra que define bem a coleção desenhada pela dupla Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli. Esqueça o vermelho Valentino: a cartela cromática tinha só tons pasteis, beges, azul marinho, preto, verde esmeralda, nude e rosé, inclusive nos casacos de pele. As meninas com conjuntos acima do joelho em azul bem escuro, abotoados até o pescoço, pareciam ter saído de um colégio interno para desfilar com suas botas de python. As transparências estavam por toda parte, até na profusão de rendas, em cascata, nas saias e vestidos, nas camisas combinadas com saias plissadas e até nas botas.