José Dirceu: Investimento para gerar emprego
Enquanto segue a tentativa de parte da mídia de transformar o controle da inflação em uma obsessão, algo muito mais urgente do que realmente é, dados do IBGE divulgados na semana passada apontam por que, entre os trabalhadores, mantém-se o otimismo com a economia brasileira: janeiro de 2011 terminou com desemprego de 6,1%, menor registro na série histórica para o primeiro mês do ano. No Rio de Janeiro, o índice é ainda melhor que a média nacional: 5,1%, o menor resultado em oito anos.
Embora seja uma média geral, que contém variações de acordo com o setor analisado, são números próximos de uma situação de pleno emprego e que seguem tendência estável. No Rio, a taxa de desemprego em dezembro de 2010 era de 4,9%, ou seja, registrou uma variação de apenas 0,2 ponto percentual em um mês. Mais uma vez, o resultado é melhor que o da média brasileira, que apresentou variação de 0,8 ponto percentual (o desemprego em dezembro foi de 5,3%).
É um resultado atípico para janeiro, mês em que os trabalhadores temporários deixam o comércio e costumam engordar as estatísticas do desemprego. Mas é importante notar que, além do Carnaval tardio que segura o investimento do setor privado em turismo, comércio e serviços, o Rio se beneficia especialmente dos investimentos nas obras para a Olimpíada e para a Copa do Mundo, bem como goza de boa parte da massa de empregos gerados pela indústria naval e pelos investimentos da Petrobras.
Esse ciclo positivo de desenvolvimento com geração de postos de trabalho tem tudo para se manter em 2011: o governo federal faz questão de frisar que não permitirá que o contingenciamento no orçamento da União atinja as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada, e cobra dos estados o mesmo empenho na condução das obras. Da parte da Petrobras, seu plano de investimento segue em alta e chega a quase R$ 94 bilhões para este ano. A maré é boa para a estatal, que terminou 2010 com recorde histórico de lucro, de R$ 35 bilhões.
Por um lado, seguem os avanços na instalação da estrutura para explorar o pré-sal. Nesta semana, foram iniciados os testes em um dos poços da Bacia de Campos com vazão de 23.300 barris, para avaliação das características do reservatório. Outros testes têm início previsto para 2011, fomentando a indústria petroleira local.
Outra fonte importante são os investimentos da Petrobras no fomento da indústria naval, resgatada da estagnação pelo governo Lula. Somente a Transpetro, subsidiária de transportes da estatal, é responsável pela encomenda de 49 navios até 2015, o que mantém as indústrias a todo vapor e incentiva novos investimentos no setor.
É exemplo notável desse processo a instalação da Unidade de Construção Naval do Açu, que teve sua licença ambiental prévia aprovada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Rio para o início das obras, no Distrito Industrial de São João da Barra. Será o maior estaleiro da América, e empregará 10 mil pessoas durante a fase de operação e mais 3.500 na fase de implantação (no total, mais de 60 mil trabalhadores estão empregados no ramo hoje no país).
Esse é o principal aspecto da continuidade que os brasileiros escolheram ao eleger Dilma Rousseff presidente do Brasil: o incentivo a um modelo de desenvolvimento que prioriza a produção e o trabalhador, com criação de postos de trabalho e valorização dos salários.
José Dirceu é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT.
