PROGRAMA: Crítica / Desconhecido

Por Roberto Cunha

Quem está no time que adora filmes de espionagem e teorias conspiratórias vai ver neste longa pinta de um bom e velho conhecido, com motivos de sobra para atrair você para a sala escura. Na história, Dr. Martin se envolve num acidente de carro e fica em coma por alguns dias. Quando recobra os sentidos, descobre que sua identidade foi assumida por outro homem. Pego de surpresa, começa então uma verdadeira odisseia para desvendar o mistério e embarca numa espiral crescente de acontecimentos. De uma hora para outra, o espectador se vê diante de uma intrincada teia e será solidário ao protagonista numa simples pergunta: “Quem sou eu?”.

A trama recorre ao uso de flashbacks, inevitáveis em um filme onde a memória é personagem, mas como foram usados na medida certa, não causaram nenhum efeito colateral que estragasse o ritmo. Há sequências de ação de tirar o chapéu,  frenética perseguição de carro que (de tão exagerada) nos faz até pensar que estamos no filme errado, mas aos poucos o roteiro inteligente vai plantando pistas que começam a dar sentido.

Dotado de diversos elementos de clássicos do gênero, como códigos misteriosos, uma loira fatal, vilões mal-encarados e ainda algum humor, o clima de paranoia é contagiante. Entre as várias referências, A origem certamente serviu de inspiração na supercâmera lenta na hora do acidente.  O roteiro dos desconhecidos (com trocadilho) Oliver Butcher e Stephen Cornwell tem como base o livro Out of my head, de Didier Van Cauwelaert,  e vai deixar muita gente com alguns questionamentos até conseguir decifrar a história que tem começo, meio e um ótimo fim. Portanto, se você busca aquela obra-prima, esqueça. Agora, se quer encontrar um obra que prima por gerar envolvimento, achou.