Investidores abraçam a renda fixa
Venda de títulos do Tesouro alcança R$ 360 milhões, bate recorde e aponta nova tendência de aplicação
Apostar em títulos públicos está se tornando a principal opção de investimentos para brasileiros. Estáveis e relativamente rentáveis, eles já superam o rendimento da poupança, além de oferecer mais segurança do que o investimento em renda variável, como aplicações na bolsa. Segundo números divulgados pelo Tesouro Nacional, as emissões do Programa Tesouro Direto somaram R$ 360 milhões em janeiro, recorde da modalidade.
Apesar da euforia, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, disse que a alta em janeiro já era esperada. O mês de janeiro, em geral, tem alta concentração de vencimento de títulos. Ou seja, muitos investidores aproveitam a retirada de um título antigo para comprar papéis do Tesouro.
– O programa de investimento do Tesouro é muito atraente para o médio e o pequeno investidor, o que justifica a alta procura também – comentou Garrido.
Apesar de economistas apontarem a elevação da taxa Selic como uma das razões do aumento na procura por títulos, o coordenador do projeto negou:
– As alterações na taxa de juros afetam todas as aplicações e não necessariamente estimulam a migração.
Hoje, o que separa o pequeno investidor que mantém dinheiro aplicado na poupança, e não em renda fixa, ainda é o desconhecimento. Mais divulgada pelos bancos, a poupança teve rendimento de 6% no ano passado, enquanto algumas modalidades de renda fixa ultrapassaram os 10%.
– A poupança é isenta do imposto de renda, mas o rendimento dela é tão baixo que não vale a pena – avalia Alan Soares, da consultoria Trader Brasil. – É triste ver que, por falta de conhecimento, muitos brasileiros ainda apostem na poupança. Mas acho que está mudando.
Apesar da resistência dos investidores mais moderados, que ainda guardam seu dinheiro na caderneta de poupança, os próprios bancos podem servir de ponte para a compra de títulos de renda fixa.
Dos quatro maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) todos têm corretoras habilitadas para compras de títulos do Tesouro.
Para se tornar um investidor cadastrado, basta ir à sua própria agência bancária solicitar o serviço ou, se preferir, buscar uma corretora.
Uma vez cadastrado, basta escolher os títulos para compra. Vale lembrar que a variação de cada título está atrelada a um valor, como o dólar, a inflação ou a taxa Selic. Em geral, os investimentos mais lucrativos requerem mais dinheiro.
Uma das opções mais rentáveis, por exemplo, são as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Com a especulação imobiliária, alguns desses títulos oferecem retorno de quase 20% após um ano e têm seu lucro isento do imposto de renda. No entanto, em geral, a aplicação mínima para adquirir uma LCI é de R$ 50 mil.
Popularidade
Hoje, a poupança ainda lidera em número de investimentos, e as aplicações na bolsa de valores são as mais frequentes entre investidores com perfil mais ousado. No entanto, um estudo do Instituto Assaf mostra que a manutenção desse perfil ainda se apoia em mitos.
Segundo a entidade, o título público foi a modalidade que mais deu retorno aos seus investidores, com rendimento real de 164% entre 2001 e 2010. A bolsa de valores aparece em segundo lugar, com 139%, e a poupança ficou em penúltimo, com apenas 17,7%.
Para coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, o aumento na procura por títulos do Tesouro deve-se à divulgação dos planos do governo. No entanto, o analista financeiro Alan Soares discorda.
– O Brasil carece muito de educação financeira. Os gerentes de bancos sabem das melhores opções para seus clientes, mas estão mais preocupados em alcançar outras metas estabelecidas para as agências, como abertura de cadernetas de poupança ou fornecimento de crédito – diz o analista da Trader Brasil. – Tive clientes que conseguiram até 20% com alguns títulos de renda fixa, bem acima dos 1% que a bolsa vem pagando.
