Diálogo interrompido
Jennifer Medina THE NEW YORK TIMES O ambiente universitário costuma ser bastante plural, abrigando pessoas de diversas crenças, raças e tribos, com ideais semelhantes ou díspares. E, teoricamente, por ser um ambiente democrático e acadêmico, todos devem ter um espaço para expressar suas opiniões.
Entretanto, promover este diálogo pode ser tão difícil quanto levar a paz ao Oriente Médio.
Em dezembro passado, um dos grupos mais controversos da Universidade da Califórnia, a União dos Estudantes Muçulmanos, teve suas atividades suspensas devido à perturbação do discurso do embaixador israelense Michael B. Oren, realizado no campus.
Na ocasião, alguns estudantes protestaram. O promotor público Tony Rackauckas não gostou e submeteu, na última sexta-feira, acusações criminais de delitos leves contra 11 deles, acusando-os de perturbar uma reunião pública e participar de uma conspiração.
Os alunos presos disseram que o protesto não tinha sido uma atividade da União dos Estudantes Muçulmanos, mas uma investigação da universidade concluiu que o grupo havia coordenado o protesto na tentativa de cancelar o evento.
Reem Salahi, advogado que representou os alunos em suas audiências administrativas, afirma que os promotores agiram de “maneira muito seletiva”.
– Não é apenas a punição, mas a difamação desses alunos que preocupa. A questão não é se foi grosseiro ou desrespeitoso. Eles estavam tentando liberar suas queixas de forma pacífica – diz Salahi.
Nos EUA, estudantes muçulmanos reclamam de censura à liberdade de expressão nas faculdades Continua na página seguinte. MEDO – Os pais de Hamza Siddiqui, um dos líderes da União dos Estudantes Muçulmanos, o aconselharam a não se envolver com o grupo.
