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Os R$ 15 da guerra do salário mínimo

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A insignificância da diferença desqualifica o debate para o bate-boca de fim de feira livre O DESEMPENHO CONCILIADOR da presidente Dilma Rousseff, que surpreendeu os que temeram pela sua enérgica atuação como chefe de Gabinete nos oito anos dos dois mandatos do ex-presidente Lula da Silva, está passando por um teste desconfortável nos desentendimentos entre o Congresso e o governo para a definição do valor do novo salário mínimo.

Parece ranzinzice de comadres. A insignificância da diferença desqualifica o debate para o bate-boca de fim de feira livre, para o rateio das xepas.

Vamos aos números. A Câmara dos Deputados, com a fina sabedoria do plenário, renovado pelos votos aprovou o projeto que fixa o salário mínimo em R$ 545, convenhamos que uma ninharia.

E que nasceu um aleijão, transferindo para os próximos quatro anos que o seu valor será regulamentado pelo presidente da República.

O PSDB e o PPS anunciaram que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o Senado aprove o artigo que prevê que nos próximos quatro anos o valor do salário mínimo será regulamentado pelo presidente da República, o que consideram inconstitucional.

Não vale a pena perder mais tempos com as fofocas entre governo e oposição.

Mas, para não passar por tão grave crise com leviandade, vamos aos números que não mentem jamais.

O governo da presidente Dilma Rousseff, com a solidariedade militante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está discutin do por R$ 15 – exatamente quinze reais – entre os R$ 545 do milionário salário mínimo do governo e o esbanjamento dos R$ 560 da demagogia da oposição.

A briga, portanto, gira em torno de R$ 15 mensais. Será que vale o tempo perdido e o tempo desperdiçado no bate-boca? Para não dizer bobagens, fui conferir na cozinha com quem faz as compras e a comida. Aí, a grave crise política encolhe para a insignificância da realidade. Com os R$ 15 mensais dá para comprar dois pacotes de pão de forma ou dois pães integrais. É pouco, não.

Se subirmos mais alguns degraus, o risco do tombo é desanimador. Para uma família pobre viciada no jejum, com os R$ 560 do salário mínimo, quem esbanjar com a comida e não aprender a viver em jejum, o aluguel de um casebre em favela anda pelos R$ 400, R$ 500.

Mas, quem calcula salário mínimo com a tabela do governo não pode prestar atenção em tais miudezas. O governo do presidente Lula distribui milhões de cestas básicas para os necessitados.

Só que o Brasil é um continente que está sendo devastado. Se o governo acode de um lado para aliviar a fome do pobre, a derrubada da floresta amazônica dribla os parcos recursos federais e estaduais. Dos municipais, na nossa imensidão, é melhor fechar os olhos; Devido à devastação, a minha cidade de Nova Friburgo, onde tenho casa há décadas e que não tenho podido desfrutar no clima ameno e na tranquilidade do distrito de Muri, vai demorar anos para ser recuperada.

Agora acrescem os graves problemas de família que es tamos enfrentando, com meu filho Marcos em coma profunda no Hospital São Vicente de Paulo, e minha mulher Regina, casada comigo há mais de 60 anos, pegando as sobras da depressão na roda-viva de tantas angústias.

Nota Aproveito este fim de página para um agradecimento às centenas de amigos, conhecidos e muitos de quem só agora decorei o nome e que por telefone, bilhetes, mensagens manifestam a sua solidariedade a uma família, com todas as suas ramificações, atingida pelo imprevisto da queda do Marcos, ainda sem explicação e muitas hipóteses.

Impossível agradecer a cada um. De muitos nem sei o telefone. Mas o coração, sofrido e cansado, também registra a gratidão do silêncio. Villas-Boas Corrêa escreve nesta coluna às segundas-feiras.