Heloisa Tolipan
Garoto de Ipanema Com um jeito mais lindo e cheio de grafite o artista holandês Sjoco Sjon foi ontem ao Homegrown, em Ipanema, e se fez um conterrâneo da canção de Vinícius e Tom para nativo nenhum botar defeito, na abertura de sua exposição A glória do Rio . Elogiadíssima, por sinal, já que revela um olhar bem particular de estrangeiro sobre um Rio além do clichê mula ta-caipirinha-Ronaldo . “O Rio é belíssimo! A cidade é cercada por uma natureza linda e cheia de gente bonita de todos os tipos de culturas e origens. As pessoas daqui realmente sabem como aproveitar a vida de um jeito que não se vê na Europa”, nos contou o artista que, antes, só havia dado uma passadinha rápida por nossa cidade no ano passado, mas já foi tempo suficiente para fazer dela sua musa inspiradora. E, de fato, não podemos negar que Sjoco não só tirou, literalmente, de letra todas as curvas dos nossos bairros, como você pode ver em nossas laterais, mas fez de sua arte um patrimônio cultural de nossas ruas, como é o caso deste muro aqui embaixo, no Jardim Botânico. Reconheceu? Aliás, aproveitamos o clima de descontração que tomava conta do ambiente e puxamos Sjoco em um canto para papearmos um pouco sobre as clássicas dificuldades em transportar a arte das ruas para as galerias. Passou por isso, Sjoco? “No meu caso, descobri essa vocação muito cedo. Vi que, se quisesse ser feliz, era preciso transformar em profissão o que realmente gosto. Sentar em um escritório o dia todo nunca foi a minha praia.
Então, fui fazendo minha arte e, aos poucos, sem querer, acabei sendo reconhecido por isso.
Não vou negar que sempre tentei fazer algo que me desse dinheiro, mas, acima de tudo, com a certeza de que faço a minha arte”. Olha, a exposição ficará em cartaz até o dia 15 de Março.
Sem desculpas para ausência, né , gente?.
