A presidente Dilma continua surpreendendo

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A sucessora de Lula está surpreendendo com declarações claras e a facilidade de comunicação SE HÁ ALGUMA n ov i d a d e no modorrento painel político do país, é inútil procurar na Câmara dos Deputados ou no Senado. O Tiririca já viveu os seus dias de sucesso no discutível palco do pitoresco. No Senado, a surpresa ficou por conta da presidente Dilma ao apoiar a eleição do senador José Sarney para a presidência do Senado, numa jogada de xadrez: a longa experiência do senador pelo Amapá, sua simpatia e lábia abrem portas e facilitam os acordos políticos em todas as áreas, sem exceção.

Mas ainda considero que a mais notável das mágicas do senador quase passa despercebida, embrulhada na rotina. Dilma conseguiu, na maciota, estabelecer com o ex-presidente Lula um relacionamento que começa por respeitá-lo, com a gratidão por quem é o responsável pela sua ascensão fulminante da chefia do Gabinete Civil, uma mistura pastosa de burocracia com o acompanhamento da fulminante ascensão do mais popular dos presidentes da história deste país sem nunca ter lido uma folha de papel com a chatice da burocracia.

O ex-presidente foi um craque nos dribles à rotina entediante do papelório. Não há registro de uma linha com a sua letra em oito anos dos dois mandatos. Por muito favor, a rubrica rabiscada às pressas. E o seu governo funcionou com a escolha de ministros competentes e da chefe da Casa Civil, a hoje presidente Dilma Rousseff.

Não tenho lembrança de um presidente que tenha im posto o seu sucessor sem dar a mínima atenção ao seu partido. O Partido dos Trabalhadores assistiu da geral à indicação da presidente Dilma.

Nenhum petista ousou sugerir a sua candidatura. Os pretendentes não deram um pio.

Foram comunicados da escolha pelos noticiários da televisão ou pelos jornais.

E deu certo: a candidata Dilma superou os problemas de saúde, com a novidade do linfoma benigno, que ninguém sabe o que é. Candidata, correu com o seu grande eleitor, o presidente Lula, este país para “inaugurar as obras do PAC” ou o lançamento da pedra fundamental.

E está surpreendendo o distinto público com uma administração dinâmica, declara Villas-Boas Corrêa escreve nesta coluna às segundas-feiras.

ções claras e confiáveis e com uma facilidade de comunicação que não se esperava.

A sua popularidade cresce sem espalhafato. A presidente está presente nas muitas calamidades que afligiram o país, até a calamidade das tormentas que castigaram Nova Friburgo, a cidade onde passei longas temporadas e tenho uma casa, em Muri, poupada pela tormenta com pequenas sequelas.

A reeleição de Dilma são favas contadas, a menos que Lula seja candidato. Até lá, muita correnteza passará debaixo da ponte. E cá com os meus botões especulo sobre em que condições este país estará até as vésperas da eleição.

A oposição perdida na debilidade da sua representação parlamentar, sem um líder que se destaque na pasmaceira geral. O Congresso reduzido ao ridículo das bancadas que se confundem na paçoca sem sal, só por milagre de um santo desatento, construirá um candidato no Senado de raros destaques e na Câmara em que os conhecidos em geral não podem ser levados a sério.

A presidente Dilma enfrenta o seu pior desafio, com tranco para deter a inflação com medidas impopulares, como a suspensão das nomeações no serviço público dos aprovados em concursos federais e a suspensão de novos concursos este ano, uma medida radical que poderá ser derrubada pela Justiça.

No seu primeiro ano de mandato, Lula anunciou o corte de R$ 14 bilhões no Orçamento da União de 2003. Cortou bem menos. E, no mesmo dia em que cortou, apresentou 14 medidas em áreas como agricultura, energia elétrica, reforma agrária, que ainda não começou. Ficou para a presidente Dilma o desafio que rola no tapete fofo da burocracia.