Enxugando gelo

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No meu tempo de diretor de trânsito, caminhões não podiam circular nos eixos nobres da cidade É impressionante a quantidade de reportagens apontando as dificuldades do nosso trânsito, sem que, em nenhuma delas, seja apresentada uma solução prática e de curto prazo para um Estado onde são emplacados, por mês, 5 mil ve í c u l o s .

Na semana que passou, foi publicada, em página inteira, uma pesquisa da Coppe para demonstrar o que já se sabe e se sente, no caso por nós, motoristas, vítimas das deficiências de gerenciamento operacional do trânsito. Não canso de repetir que, essa atividade não é ensinada em nenhum curso. Só se tornaram notáveis na gestão do trânsito no Rio os militares, por formação e executivos que conheciam engenharia de tráfego. São lembrados até hoje. Na matéria em questão, além da pesquisa propriamente dita, três afirmações merecem comentários: a coordenação dos sinais facilita o trânsito, a regulagem dos sinais é diária, e o regime de circulação dos caminhões merece atenção.

Se já existisse no Rio um moderno sistema de controle informatizado dos ciclos dos sinais, com a informação contínua online do real perfil do tráfego, não precisaria de pesquisa. O sistema fornece constantemente o volume e o número de veículos, além da velocidade e o rendimento da malha viária.

Um dos motivos do aumento de veículos ter mudado de horário, para mais tarde, é explicável pela deficiência de transporte público que faz com que os chefes ou os profissionais liberais autônomos, com seus horários de entrada mais tarde do que o de seus empregados, via gem em seus carros particulares, impunemente sozinhos. Pela mesma razão o pico matutino da Zona Norte se dá mais cedo que o da Zona Sul.

Quanto à regulagem dos sinais ser diária, no sistema que defendo é realizada a cada cinco segundos. O sinal é inteligente e atende ao real perfil do tráfego.

Quanto à coordenação, com a abertura simultânea de vários sinais, ao invés de sucessivamente, em onda verde, na velocidade ideal para o melhor aproveitamento da capacidade da via, tal sistema torna-se o fator incentivador do individualismo e do excesso de velocidade.

Finalmente, quanto aos caminhões, no meu tempo de diretor de trânsito, não circulavam em hora nenhuma nos eixos nobres da cidade, como Av. Rio Branco, pistas do Aterro e orla marítima.

Caminhões de lixo, somente das 21h até as 7h.

Como glosa o título, o que de útil para a melhoria do trânsito trouxe a pesquisa? Talvez, para demonstrar a grande quantidade de caminhões e carros particulares que circulam na Av. Rio Branco. Poderiam, tranqüilamente ser eliminados, das 7h até as 21h, como por mais de 50 anos assim funciona na Oxford Street, a principal via central de Londres.