Você sabe como o Fogão joga?
O Botafogo vai ter que jogar e jogar muito contra o Fluminense logo mais, se não quiser encarar o rei Dentuço e sua corte rubro-negra, nas semifinais do Carioca.
Isso, é claro, se não despencar na tabela – como nas últimas rodadas do Brasileirão – e acabar perdendo a vaga para o Bangu.
Depois do empate – que lhe caiu do céu – contra os “mulatos rosados” de Moça Bonita , ouvi um comentarista de rádio dizer que “o Botafogo voltou a jogar mal”.
Voltou como, cara pálida? Em que momento o Botafogo entusiasmou sua torcida neste campeonato? Sei que é início de temporada, sei de cor todas as desculpas dos treinadores, nessa época, para justificar as atuações medíocres de seus times , mas que diabos! O Botafogo vem jogando um futebolzinho muito abaixo do seu potencial (?).
Certamente algum torcedor passional – se isso não é uma redundância – vai esfregar na minha cara que o time está invicto e venceu quatro dos seus cinco jogos. E daí? Futebol é um contêiner de surpresas! Lembra do sufoco contra o Duque de Caxias? Lembra da contribuição do zagueiro da Cabofriense ? Lembra das vaias contra o Madureira? E da imerecida vitória sobre o Olaria, quando fomos dominados, como ocorreu contra o Bangu? Não sou como certos sindicalistas, um torcedor de resultados. Prefiro sentar na poltrona e me encantar com o time, mesmo na derrota, do que passar 90 minutos reclamando dos passes errados, cruzamentos mal feitos, vacilos da defesa, falhas do meio de campo (daqui a pouco vou sentir saudades do Lucio Flavio!) e a inoperância do ataque.
O torcedor passional vai esfregar na minha cara que o Botafogo tem um dos ataques mais positivos da competição.
É verdade, e isso se constitui num grande mistério para mim porque o Botafogo não tem força ofensiva: ataca com dois ou três , quando não insiste em cruzamentos que nunca chegam à cabeça do Abreu. A melhor bola que o uruguaio recebeu até agora foi na direção dos seus pés, um passe de 32 metros de Alessandro, que Gerson Canhotinha assinaria embaixo. No jogo com o Bangu, o goleiro Thiago Leal poderia ter ficado em casa. Enquanto isso, do outro lado de Gotham City, Jefferson teve que se virar para salvar – mais uma vez – o Botafogo.
O que significa quando um goleiro é considerado o melhor do time? Significa que o time está dando o maior mole para o adversário. Será que Joel não está vendo isso? Por acaso ele pensa que são suas escalações e substituições que estão evitando as derrotas? Joel não tem sido muito feliz nas suas mexidas. Ele não troca jogadores para dar mais ousadia ao time ou tirar o adversário da zona de conforto.
Suas substituições são sempre defensivas, para suportar melhor o domínio adversário. Deu para entender? Após a partida com o Bangu, Joel declarou que “meu time só atingiu 40% do seu potencial”.
Quero ver como ele vai aumentar esse potencial escalando o Fahel, botando Caio de ala, abandonando Abreu como um louco solitário lá na frente, mantendo Somália correndo feito barata tonta pelo campo.
Se o Botafogo repetir suas atuações anteriores neste domingo, no Engenhão, vai levar uma chinelada do Fluminense. Não é que o tricolor e steja com essa bola toda – Fred sim! – mas o time já decorou sua lição e tem um padrão de jogo, algo que deve estar escondido nesses 60% de potencial que faltam. Abreu não tinha razão quando declarou, ao final da partida com o Duque de Caxias, que “todo mundo já sabe como joga o Botafogo”. Eu, por exemplo, não sei. Você sabe?.
