Com calibre para virar best-seller

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O ponto alto é o casamento de um chefão corleonês com Rosa, mulher pertencente à facção derrotada, a dos parlemitanos. Durante o desenrolar da narrativa, o sucesso de um irmão dela em Nova York, entre a máfia local, gerará uma tentativa de reviravolta, o que ETERNO colocará em risco sua vida.

A juíza Salemi também vive um caso amoroso, embora sempre se mostre fria e indiferente, com um comissário de polícia, de quem ela passa a desconfiar quando ouve a história relatada por um pentito .

O que também torna o livro atrativo, não apenas por quem se interessa por narrativas policiais plenas de complicações, é a discussão sobre o destino que muitas dessas organizações criminosas passaram a ter nos dias de hoje. Talvez as constantes crises econômicas mundiais possam servir como termômetro de que há algo de podre nesse universo. Máfias de diversos tipos abandonaram o que mais as incriminava para atuar num mercado até certo ponto legal, em crescimento em diversos países, sobretudo na América do Norte. Computadores e internet também se transformaram em ferramentas de lucro para essas empresas .

A única reparação a ser feita é a mesma que é comum à literatura policial. A maioria dos personagens é estereotipada, a exceção são os policiais em fim de carreira, aqueles que tiveram uma vida arriscada e miserável mas não perderam a capacidade de sonhar.

Mais escuro que a meia-noite Salvo Sottile, tradução de Ana Resende.

Ber trand Brasil, 373 páginas. R$ 44.

Professor e doutor em literatura brasileira pela UFRJ.