Mico internacional
Quem nunca puxou a porta ao ler “push”? Aportuguesar, aliás, é uma prática que dificilmente dá certo. É como dizer “I am a good fork”, na tentativa de mostrar que é um “bom garfo”. Ou pedir um hambúrguer “traveling”, quando se quer dizer “viajando”. E é justamente aí que está outra fonte de problemas.
– Muitas palavras se parecem em português e inglês, mas têm significado bem diferente – diz Willians, a respeito dos falsos cognatos. – A palavra actually , por exemplo, não tem nada a ver com atualmente. As pessoas se esquecem de que ela significa “de fato” ou “na verdade” – diz. – Na hora da conversa, os brasileiros, com freqüência, ignoram que ’atualmente’ é ’currently’ ou ’right now’ , acrescenta. Atire a primeira pedra quem nunca se atrapalhou diante de uma placa escrito push e puxou a porta, em vez de empurrá-la.
Verdadeira mão na roda para brasileiros acostumados a vícios de linguagem, o dicionário tem 500 verbetes que mostram a versão certa, a errada e também uma breve explicação sobre como usar a expressão.
– A ideia era tratar os erros mais comuns, analisar e explicar dentro do contexto de comunicação, sempre dando alternativas mais adequadas.
Pois nem sempre o aprendiz consegue memorizar as correções que o professor faz no contexto da sala de aula – afirma Willians, que, com Mark, durante dez anos montou um banco de dados a partir dos erros mais comuns dos alunos.
Campões no ranking dos erros, os temidos “phrasal verbs” (associação de um verbo com uma ou mais partícula ou preposição) são mesmo o terror dos lusófonos, que, segundo os professores, preferem os verbos de origem latina.
Willians e Mark afirmam que o brasileiro se sente mais confortável usando verbos em inglês que lembram os do português, como ’desist’ (desistir) ou ’tolerate’ (tolerar) – O pro blema é que o uso desses verbos ’latinos’ em inglês torna a fala estranha e, muitas vezes, não soa natural. Um americano ou inglês jamais diria ’I desist!’; ele diria ’I give up!’– diz Mark.
Diante de tantas armadilhas, os professores deixam uma mensagem otimista a respeito do erro. – Muitas pessoas têm a ideia de que errar numa língua estrangeira é uma falha imperdoável, e se recusam a falar porque têm medo. Isso é uma besteira! O erro é o ponto de partida para aprendermos um idioma, e não pode ser visto como algo negativo, ao contrário! Quem passou vergonha nos Estados Unidos foi o comerciário Celso Paranhos, 33, que comprou, ainda no aeroporto Tom Jobim, um livro que apresentava 500 perguntas fundamentais para o turista se virar na terra de Barack Obama.
– O problema foi que o livro tinha as perguntas, mas não as respostas. Eu perguntava e não entendia nada do que me respondiam. Fiquei na mesma – conta Celso, sobre suas aventuras em Miami.
