Luis Perdomo a sós com o seu piano
O pianista venezuelano Luis Perdomo nasceu em Caracas há 45 anos. Em 1933, fixou-se em Nova York, com bolsa integral, para desenvolver seus estudos na Manhattan School of Music, sob a tutela de Harold Danko e da pianista clássica Martha Pestalozzi, formando-se em 1997. Não satisfeito com o bacharelado, ele foi buscar o mestrado no Queens College, sob a supervisão do lendário “Sir” Roland Hanna (1932-2002).
Este background explica o processo simbiótico que marca a música desse virtuose do piano, e também compositor. Perdomo não renega nem esconde suas raízes latino-americanas. Mas espera e deve ser apreciado como um daqueles intérpretes da “Primeira Liga” para os quais o jazz não é um tipo de música, mas um modo dinâmico de expressão musical, no qual a composição é um pretexto, sempre aberto a apropriações. Populares ou eruditas.
No site do pianista lê-se uma apreciação colhida em coluna especializada do New York Times que bem sintetiza a sua arte: “Mr. Perdomo toca com sonoridade profunda, aplomb rítmico e ouvido aberto a dissonâncias úteis”.
Na condição de sideman, constam do seu currículo atuações ao lado de estrelas de primeira grandeza como os trompetistas Dave Douglas e Tom Harrell, o saxofonista Ravi Coltrane e o trombonista Steve Turre. Sua associação com o notável sax alto Miguel Zenon rendeu seis álbuns, entre 2001 e 2011, dois dos quais foram indicados para o Grammy: Esta Plena (2009) e Alma Adentro (2011), ambos editados pela Marsalis Music.
Como líder, seus feitos mais recentes foram os discos Universal Mind (RKM,2012), em trio com Jack DeJohnette (bateria) e Drew Gress (baixo), e Links (Criss Cross, 2013), em quarteto com Miguel Zenon, Dwayne Burno (baixo) e Rodney Green (bateria).
Luis Perdomo acaba de lançar Montage (Hot Tone Records), o seu primeiro CD a sós com o piano. É o registro de uma sessão de estúdio na qual interpreta 15 peças, das quais as cinco que têm a palavra “montage” no título são realmente justaposições (ou colagens) de elementos melódicos, harmônicos e rítmicos nas quais é difícil saber o que é composto e o que é improvisado. Montage fleeing (2m) e Montage angst (1m10) são miniaturas com clusters dissonantes à la Cecil Taylor; Montage sleepwalker (3m35) e a brevíssimaMontage air (1m25) soam rarefeitas e minimalistas; Montage the ascent (3m15) tem um clima meditativo, mas é também harmonicamente assimétrica.
As faixas mais alinhadas à mainstream moderna do pianismo jazzístico são as magistrais versões de Monk's dream (4m10), de Thelonious Monk; de Cal Massey (3m35), do underrated pianista Stanley Cowell; e da imortal balada Body and soul (5m05).
Enquanto La revuelta de Don Fulgencio (3m15) é um tour de force que realça a técnica contrapontística de Luis Perdomo, Mambo Mongo (5m50) e a balada cubana Si te contara (4m10) são temas em que ele rememora seus tempos de menino em Caracas.
(Samples do CD Montage em: muzoic.org/release/album/luis-perdomo-montage)
