Chick Corea, mais uma vez, "músico do ano" dos leitores da Downbeat
Perto dos 75 anos, Chick Corea continua a ser um dos mais ouvidos e aplaudidos jazzmen destas últimas cinco décadas. Ele repetiu a performance de 2014, e foi eleito “Artista de jazz do ano” no mais recente referendo dos leitores da Downbeat. Conforme os números publicados na última edição (dezembro) da chamada bíblia do jazz, o pianista-compositor obteve 848 votos do “leitorado”, à frente dos saxofonistas Wayne Shorter (752) e Chris Potter (637), da cantora Diana Krall (616) e do trompetista Wynton Marsalis (613).
Para a maioria dos leitores da DB neste 80º Annual Readers Poll, foi também de Chick Corea o melhor álbum de jazz lançado no período setembro de 2014-setembro 2015: Trilogy (Stretch/Concord), que já tinha sido premiado com o Grammy, em fevereiro, na categoria de melhor disco de jazz da temporada. Trilogy é uma caixa de três CDs, contendo um total de 17 faixas registradas em concertos pelo mundo todo, entre 2010 e 2012, do extraordinário trio do pianista formado com Christian Bride (baixo) e Brian Blade (bateria).
Corea vem cumprindo, como de hábito, uma agenda cheia. Nestes últimos dois meses, terá se apresentado na Itália, França, Bélgica, Noruega, Espanha e na Inglaterra (uma semana no Ronnie Scott's Club, Londres). Em setembro, fez uma turnê pelos Estados Unidos, em duo, ao lado do banjoista Béla Fleck, por ocasião do lançamento do álbum duplo Two(Concord). Também em duo, voltou a exibir-se com outros dois eminentes pianistas: Herbie Hancock e Gonzalo Rubalcaba.
“Continuo, mais do que tudo, tocando em qualquer oportunidade. Gosto de viajar e tocar para audiências diferentes, a cada noite, em novas cidades” - responde Corea, em entrevista à Downbeat, ao lhe perguntarem sobre como se sente nessa febril atividade. “Pra mim, tocar ao vivo em concertos é a mais verdadeira forma de comunicação. Não há outros intérpretes. Lá estamos, só nós”.
Técnica excepcional a serviço de rara intuição criativa como improvisador foi sempre a marca de Armando Anthony “Chick” Corea, desde que gravou, em 1968, o LP Now he sings, now he sobs (Blue Note), em trio com Roy Haynes (bateria) e Miroslav Vitous (baixo). Ele tinha então 27 anos, e despertou logo a atenção de Miles Davis, que o chamou para suceder Herbie Hancock, tocando piano elétrico nos conjuntos rockyish da última fase do lendário “Prince of Darkness”. Como líder, Corea teve uma rápida experiência (1970-71) à frente do quarteto semi-free Circle. Voltou à jazz fusion com a banda Return to Forever (1972-75). Nova mudança de rumo nos anos 80, apresentando-se em trios e ao lado do saxofonista Michael Brecker, e também em duo com Herbie Hancock. Mais tarde, o prolífico pianista-compositor voltou de novo à fusão com a sua Elektrik Band, mas criou, paralelamente, a igualmente bem-sucedida Akoustic Band (John Patitucci, baixo; Dave Weckl, bateria).
Nestes últimos quatro anos – além do premiado Trilogy – Chick Corea lançou, como pianista-compositor, três álbuns particularmente importantes na sua extensa discografia: Hot house (Concord), o sétimo duo com o eminente vibrafonista Gary Burton; The Continents (Deustche Grammophon), um “Concerto para quinteto de jazz e orquestra de câmera”; Further explorations (Concord), em trio com Paul Motian (bateria) e Eddie Gomez (baixo).
(A faixa Blue call rag, do álbum Two, do duo Corea-Fleck, pode ser ouvida em
https://soundcloud.com/concordmusicgroup/chick-corea-bela-fleck-bugle-call-rag)
