Argentina condena ex-juízes à prisão perpétua por crimes da ditadura
A justiça argentina condenou à prisão perpétua doze pessoas, entre elas quatro ex-juízes federais, por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura (1976-1983), segundo o Centro de Informação Judicial da Suprema Corte. Os quatro ex-juízes federais condenados são Otilio Romano, Luis Miret, Rolando Evaristo Carrizo e Guillermo Max Petra Recabarren.
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O Tribunal Oral Federal N° 1 da província de Mendoza julgou 28 pessoas: 12 à prisão perpétua, 13 a penas de entre 3 e 20 anos de prisão e três foram absolvidas.
Mais de 200 testemunhas contribuíram com seus relatos para esse processo, o primeiro a analisar o sequestro de um menor enquanto seus pais permaneciam em cativeiro.
Os condenados foram acusados por crimes contra 110 pessoas, das quais 52 permanecem desaparecidas. O processo inclui casos como o de Celina Manrique Terrera, sequestrada quando tinha apenas oito meses de idade.
De acordo com organizações humanitárias, a ditadura argentina deixou 30.000 desaparecidos, cerca de 500 bebês roubados ao nascimento, dentro os quais 122 puderam recuperar suas identidades graças ao trabalho da Associação Abuelas de Plaza de Mayo.
