'El País': Rajoy erra ao se oferecer como interlocutor de Trump na Europa e América Latina
Artigo de opinião do jornal espanhol diz que Rajoy esnobou países parceiros
A edição desta sexta-feira (10) do jornal espanho, El país traz um artigo de opinião onde critica fortemente a decisão do premiê espanhol Mariano Rajoy de, em sua conversa por telefone com Donald Trump, oferecer a Espanha como interlocutora da nova administração americana na Europa e na América Latina.
O texto afirma que esta conduta de Rajoy não apenas constitui um grave erro, como também esnoba seus parceiros da União Europeia e dos países latino-americanos.
El País acrescenta que não parece muito prudente assumir – muito menos mediante uma conversa de alguns poucos minutos ao telefone e pelo intermédio de tradutores – uma posição tão relevante de política externa sem uma prévia discussão no ambiente político espanhol e europeu.
De acordo com o diário espanhol Rajoy parece ter esquecido que a Espanha é um membro de pleno direito da União Europeia e não um país longínquo que pode se permitir a observar com distante curiosidade as ameaças e medidas prejudicais para a UE do novo presidente dos Estados Unidos, como se elas não a afetassem. A UE dispõe de instituições, pessoas e procedimentos especificamente encarregados de elaborar e coordenar uma política exterior e de segurança comum que, agora, prova-se mais necessária do que nunca, e para a qual Rajoy deveria contribuir e reforçar, e não debilitar.
O editorial analisa que do mesmo modo, a América Latina é uma área de interesse estratégico vital, tanto em termos políticos quanto econômicos para a Espanha, que é o primeiro ou segundo maior investidor estrangeiro em quase todos os países da região e que, portanto, pode ver-se seriamente afetada pela agressiva política de Trump em relação ao México.
El País reitera, que Rajoy deveria ter optado por seguir o caminho de outros mandatários europeus, como a conservadora Angela Merkel ou o socialista François Hollande – para citar exemplos dos dois lados do espectro ideológico – que não duvidaram em expressar com clareza e firmeza ao presidente americano os princípios democráticos, de solidariedade e de abertura ao mundo sobre os quais se baseia o projeto europeu.
Para finalizar o autor do texto observa que o que deve preocupar, e muito, o governo é que seus sócios e amigos europeus e latino-americanos considerem essa oferta não como o que poderia ou deveria ser, mas como o que parece ser: uma tentativa de ficar bem com todo mundo que, no final das contas, como é óbvio, em vez de melhorar a reputação da Espanha, contribuirá para danificá-la.
