Presidente do BCE mostra preocupação com medidas de Trump
Mario Draghi criticou deriva protecionista na economia mundial
Em pronunciamento nesta segunda-feira (6) no Parlamento da União Europeia, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, mostrou preocupação com as medidas tomadas pelo republicano Donald Trump em suas primeiras semanas na Casa Branca.
Sem citar explicitamente o novo presidente dos Estados Unidos, Draghi alertou para o risco de uma deriva protecionista na economia mundial e para o afrouxamento da regulação sobre o mercado financeiro.
Desde que chegou ao poder, Trump vem dando indícios de que pretende ignorar a tradição do livre mercado defendida pelo Partido Republicano, já tirou o país do Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e ameaça abandonar o Nafta, tratado com Canadá e México.
Além disso, assinou dois decretos que abrem caminho para flexibilizar a reforma de Wall Street chancelada pelo seu antecessor, Barack Obama, e que tem como objetivo aumentar o controle sobre o mercado financeiro após a crise de 2008.
"A ideia de repetir as condições que levaram à crise financeira é algo muito preocupante. A última coisa de que precisamos é o afrouxamento das regras", afirmou o presidente do BCE, que também se disse "muito preocupado" com os "anúncios de potenciais medidas protecionistas".
Draghi vem sendo um dos maiores incentivadores de políticas de crescimento dentro da zona do euro, principalmente por meio do "quantitative easing" ("flexibilização quantitativa"), programa do Banco Central Europeu que injeta cerca de 80 bilhões de euros por mês nos países que usam a moeda comum.
O italiano também aproveitou o pronunciamento no Parlamento da União Europeia para sair em defesa do euro, que está na mira de partidos ultranacionalistas que ganham cada vez mais espaço dentro do bloco. "O euro é irrevogável, isso é o que dizem os tratados", declarou.
